Atividades físicas são fundamentais para a conquista de uma vida saudável, mas nenhum tipo de exagero é benéfico para a saúde. Atenção!
Você sabia que malhar, malhar, malhar e nunca se sentir satisfeito é um transtorno cada vez mais comum, principalmente entre os jovens? A vigorexia, dismorfia muscular ou Síndrome de Adônis, nome dado pelo psiquiatra americano Harrisom G. Pope, é a incapacidade da pessoa em aceitar o próprio corpo.
"Na tentativa de alcançar uma perfeição que nunca alcança segundo sua avaliação, a pessoa exagera na quantidade de exercícios e pode acabar até mesmo usando drogas, como os esteróides anabolizantes", explica o fisiologista Marco Túlio Mello*, que desenvolve pesquisas sobre o assunto na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Ainda não existem estatísticas brasileiras, mas nos Estados Unidos e países da União Européia o número de vigoréxicos é bastante alto. Estima-se que entre os nove milhões de americanos frequentadores assíduos de academias, um milhão deles tenha a doença.
Segundo Mello, a vigorexia é caracterizada como um distúrbio psiquiátrico, embora ainda não conste nas classificações tradicionais de transtornos mentais. "As pessoas que a desenvolvem criam um tipo de vício pelo exercício físico. Por isso é importante ficar de olho na obsessão extrema com o corpo e no esquecimento das atividades diárias para se focar exclusivamente na malhação", lembra o especialista.
Exercícios que fazem bem! A prática regular de atividades físicas é um dos pilares para a conquista de uma vida saudável e plena. Porém, o exagero pode causar danos físicos - como sobrecargas e lesões - e psicológicos. Exageros nunca são bons!
Uma das maneiras de tentar evitar que um hábito excelente como esse se transforme em algo prejudicial à saúde é praticar exercícios físicos sempre sob a supervisão de profissionais capacitados e experientes.
Eles são treinados para orientar sobre a maneira ideal e a frequência com que se deve praticar a atividade física. Além disso, esses profissionais também podem alertar seus alunos caso percebam qualquer anormalidade durante a prática das atividades.
Caso você perceba que alguém está desenvolvendo a vigorexia, é imprescindível orientar a pessoa a procurar ajuda médica. O tratamento do distúrbio, segundo Mello, exige a orientação de um psicólogo ou psiquiatra, pois poder até ser necessária a administração de medicamentos.
Lembre-se sempre que trocar atividades como namorar e sair com os amigos pelo culto exagerado ao corpo pode, ao invés de dar prazer, levar a esse distúrbio, que causa isolamento social, dificulta os relacionamentos e pode até desencadear o aparecimento do transtorno obsessivo compulsivo. Cuide-se!
* Dr. Marco Túlio de Mello é fisiologista e professor do Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM).