Estimular a criança a comer os mais variados tipos de alimentos faz parte da educação nutricional.
Não é novidade que a porcentagem de crianças e adolescentes com excesso de peso e obesidade no mundo cresce a cada ano. Doenças como diabetes e hipertensão, anteriormente associadas apenas à idade adulta, são cada vez mais frequentes entre os jovens. O Ministério da Saúde (MS) aponta os hábitos alimentares inadequados e a falta de atividade física como os principais responsáveis por essas estatísticas.
Prevenir a instalação da obesidade é um fator crucial, já que a doença, depois de instalada, é uma das mais difíceis de ser tratadas, segundo os especialistas. A proposta do MS é incentivar o espaço escolar como ambiente para a educação nutricional e a promoção da alimentação saudável entre crianças e jovens.
A opinião da nutricionista Karina Maffei* é que a alimentação balanceada na infância vai muito além da prevenção de doenças. “A nutrição inadequada é um obstáculo à aprendizagem. A criança mal nutrida não pode participar das atividades escolares como deveria. A capacidade intelectual é, portanto, proporcional a uma boa alimentação, a uma boa nutrição”, diz Karina.
Para Mônica Inêz Elias Jorge**, nutricionista e doutora em Saúde Pública, a educação nutricional deve começar ainda na infância. Segundo ela “o ambiente escolar é bastante rico em oportunidades para as intervenções”. Nesse caso, a formação de hortas escolares, por exemplo, é uma estratégia de acesso aos alimentos, além de ser um valioso instrumento para as atividades didáticas.
Mas os profissionais encontram muitos obstáculos e desafios nesse caminho. Karina conta que as escolas dão apenas informações superficiais. “Alguns professores, com conhecimentos e interesse em educação nutricional, fornecem boas experiências com alimentos para suas classes. Entretanto, este é um trabalho de iniciativa própria e muitas vezes incompleto. O problema reside no fato de que muitos administradores acreditam que a nutrição é responsabilidade somente dos pais e, por outro lado, muitos pais acham que a escola tem obrigação de tornar a alimentação disponível e orientar a criança a comer uma variedade adequada de alimentos”, conta.
Mônica acredita que o nutricionista tem o papel de mediador e facilitador das experiências educativas. “Ele deve promover a autonomia das crianças, a fim de que elas façam suas próprias escolhas alimentares. É necessário ensiná-las a escolher de maneira consciente”. Por fim, ele deve ponderar sobre os aspectos econômicos e culturais envolvidos.
Para a família, está reservada a função de aliada, estimulando a criança a comer os mais variados tipos de alimentos, aconselhando sobre os hábitos de higiene e a prática esportiva.
*Karina Maffei é nutricionista do Hospital Samaritano, com especialização em Pediatria e Adolescência pelo Centro de Atendimento e Apoio ao Adolescente da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
**Mônica Inêz Elias Jorge é nutricionista, mestre e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP).