O café e sua saúde
Nutrição
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Pesquisas desfazem mitos sobre a bebida e mostram que o consumo moderado pode fazer bem ao coração.
Você sabia que o café é a bebida preparada mais consumida no planeta? O sabor e a energia que ele traz são apontados por sua legião de fãs como duas de suas maiores qualidades. E toda sua popularidade sempre atraiu a atenção de cientistas em várias partes do mundo, que se dedicam a uma pergunta: quais os efeitos do café para a saúde?
Para respondê-la, no ano de 2007, duas pesquisas foram divulgadas e derrubaram alguns mitos como, por exemplo, de que o café poderia fazer mal ao coração.
Um desses trabalhos (conduzido pela Universidade de Harvard e que teve a duração de quatro anos) avaliou a relação entre o consumo de café e o risco de problemas cardiovasculares. E o estudo concluiu que não se podia responsabilizar o café pelo aumento do risco de distúrbios coronarianos (1).
Já com a pesquisa da Universidade de Helsinki pretendia-se saber se a bebida poderia propiciar o diabetes. Em sua conclusão, constatou-se que tomar café, na verdade, reduz o risco de diabetes tipo 2 em homens e mulheres, não importando os níveis de atividade física, índice de massa corporal e consumo de álcool (2).
E a cafeína - o mais famoso componente do café - também é alvo de vários trabalhos científicos, que tentam provar se ela causaria ou não algum impacto na hipertensão.
Até o momento, as evidências científicas indicam que, embora eleve a pressão arterial logo após ser consumido, o café não causa hipertensão crônica. A Universidade Johns Hopkins comprovou esse fato em estudo (3) que considerou o consumo moderado da bebida (que é cerca de quatro xícaras médias por dia).
Esses recentes resultados têm mostrado que o delicioso cafezinho pode continuar a fazer parte da vida das pessoas. E essa, sem dúvida, é uma boa notícia!
Histórias do café
A lenda narra que Kaldi, um pastor de cabras do reino da Abissínia (hoje Etiópia), observou o efeito excitante que o café nativo produzia em seus animais. E que, ali mesmo, na Província de Kaffa, monges e derviches ficavam impressionados com o aroma delicioso dos bagos da planta , queimados ao fogo, e seus poderes energéticos, quando mergulhados na água em ponto de infusão. Com esse chá, era mais fácil permanecerem acordados em suas longas noites de vigílias e preces.
Na verdade, os primeiros manuscritos a fazerem referência ao café datam do século VI. A Arábia foi a grande difusora da planta no Oriente, a partir do século XIV, e seu nome não se relaciona à província onde originalmente existia, mas à palavra árabe qahwa que significa vinho, o vinho da Arábia. Na Europa, o café foi introduzido no século XVII.
Em 1727, o café chegou ao Brasil e, na virada do século XIX para o XX, já era o principal produto de exportação. A quebra da Bolsa de Nova York, no ano de 1929, trouxe a crise ao setor no País. Desesperados, produtores queimaram parte da safra, na tentativa de diminuir a produção e elevar o preço do produto.
O Governo então pediu à Nestlé que criasse uma forma de aproveitar o que estava se perdendo. Resultado: foi criado o Nescafé, fórmula de café solúvel presente em vários países do mundo inteiro. Uma maneira prática e muito gostosa de preparar o famoso cafezinho.
Referências
(1) Lopez-Garcia E, van Dam RM, Willett WC, Rimm EB, Manson JE, Stampfer MJ, Rexrode KM, Hu FB; Coffee Consumption and Coronary Heart Disease in Men and Women. A Prospective Cohort Study. Circulation 2006 May 2;113(17):2045-53.
(2) Hu G, Jousilahti P, Peltonen M, Bidel S, Tuomilehto J; Joint association of coffee consumption and other factors to the risk of type 2 diabetes: a prospective study in Finland. International Journal of Obesity advance online publication 25 April 2006.
(3) Klag MJ, Wang NY, Meoni LA, Brancati FL, Cooper LA, Liang KY, Young JH, Ford DE; Coffee Intake and Risk of Hypertension. The Johns Hopkins Precursors Study. Archives of Internal Medicine 2002 March; 162 (6): 657-662.
Assunto:Família