Uma questão de sabor
Nutrição
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Dicas para pais e educadores orientarem o processo de formação do paladar das crianças.
O nosso paladar tem uma história formada por sensações que recebem nomes como salgado, doce, amargo, ácido, entre outros. Cabe aos pais e educadores a tarefa de apresentar aos pequenos a diversidade de sabores e incentivar o consumo de alimentos nutritivos.
"Não é recomendado que o adulto ofereça um alimento à criança dizendo que ele deve ser consumido porque é bom para a saúde, nem deixar transparecer que, na verdade, acha seu sabor ruim. Mais indicado é fazer a garotada atentar para o sabor, denominando as características predominantes de cada alimento para o paladar - doce, salgado, amargo, etc.", diz a nutricionista Maria Elisabeth Machado Pinto e Silva*, do Instituto de Nutrição da Universidade de São Paulo.
Segundo ela, recebendo esse incentivo e aprendendo a reconhecer os sabores, os pequenos experimentarão uma variedade maior de alimentos e ainda poderão decidir sozinhos quais são aqueles que mais agradam seu próprio paladar. Esse é um legítimo processo educacional e que tem o intuito de ampliar a variedade de alimentos consumidos.
Aventura dos sabores!
Para conquistar os pequenos e convencê-los a embarcar nessa aventura gustativa, a professora Maria Elizabeth diz que é importante o conteúdo afetivo relacionado a cada alimento.
Esse valor afetivo está diretamente ligado à maneira com que os alimentos são oferecidos: o "gostar" e o "não gostar" podem ser decididos não apenas pelo sabor do alimento e, sim, pela maneira como ele foi apresentado.
Portanto, é preciso caprichar na hora das refeições e acionar todos os sentidos dos pequenos: aparência, cheiro e consistência merecem destaque, bem como o cuidado com o clima estabelecido no momento das refeições.
Eu não quero!
Quando a criança se nega a comer alguma coisa - o famoso momento do "eu não gosto" - vale realizar novas tentativas, mas em outros momentos e inserindo o alimento em outras preparações e receitas.
Forçar o consumo de qualquer alimento faz com que a criança se recuse a consumi-lo, pois ela passa a associá-lo diretamente a uma situação desagradável.
Que tal enriquecer a história do paladar dos pequenos usando todas essas dicas e acrescentando muito carinho, atenção e sensibilidade? Desta maneira, a vida das crianças vai ter muito mais sabor. Em todos os sentidos.
* Maria Elisabeth Machado Pinto e Silva é Professora Doutora do Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, trabalhando diretamente com experimentos com alimentos e análise sensorial na área de percepção dos gostos, preferência e aceitação.
Assunto:Família