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Esporte e competitividade

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A orientação esportiva adequada ajuda as crianças a manter o interesse pelas atividades físicas.
Já está mais do que provado que a prática de esportes é importante para manter a saúde física e mental e deve fazer parte da rotina da criança. Mas ele não é bom apenas por esses motivos: o esporte também ajuda a desenvolver a sociabilidade dos pequenos, por isso vem sendo usado atualmente como um poderoso recurso educacional.

Durante as aulas de esportes, o professor tem condições de orientar os alunos a como se comportar com os colegas elidar com os acertos e erros cometidos. Segundo o professor de educação física Abel Ardigó*, não se trata de aprender a perder, mas de aceitar que não se pode ganhar todas. "É natural do ser humano competir de forma acirrada e as crianças não precisam ser estimuladas a isso", diz ele.

O principal objetivo do esporte na infância é conquistar o pequeno para que ele continue praticando atividades físicas pelo resto da vida. Não é formar atletas , ainda que alguns se sobressaiam. Contudo, até mesmo os alunos que mais se destacam não têm garantias de que vão se tornar profissionais.

Há exemplos de crianças e adolescentes vistos como promessas de sucesso no mundo do esporte que não conseguiram chegar a jogar quando adultos, pelos mais variados motivos. Alguns se cansaram da pressão imposta por pais e treinadores, outros, que eram considerados grandes aos 12 anos, não atingiram altura suficiente para se tornar grandes jogadores de basquete, por exemplo.

Tudo isso não quer dizer que eles não devam ser incentivados, mas a torcida precisa ser feita com responsabilidade e critérios. "A maior preocupação dos pais deve ser com relação ao desenvolvimento total do filho, inclusive com sua alimentação. Se ele realmente tiver um dom excepcional para o esporte e for bem orientado, poderá começar a se especializar nos clubes por volta dos 12 ou 14 anos", afirma Ardigó.

Esporte: uma grande brincadeira!

O professor não se considera contrário aos torneios com menores de 12 anos, mas acredita que o ideal nestes casos é premiar todos os envolvidos com brindes e não apenas um com uma medalha ou troféu. "Nessa fase da vida, ser alçado campeão não tem grande significado para as crianças, mas ser considerado perdedor, certamente é devastador", lembra o professor.

"É comum ver coleguinhas xingando e ameaçando não jogar mais com quem perdeu algum jogo. Por isso, é essencial que a escola ensine que o objetivo principal não é ganhar, mas competir . E que se o outro time venceu é porque esteve superior na partida, preparou-se mais, teve mais sorte. Mas que da próxima vez será possível reverter o resultado, pois a vida é feita de ciclos e ninguém vence ou perde sempre ", conclui ele.

A melhor maneira de incentivar uma criança a praticar alguma atividade esportiva é iniciando sua prática aos 6 ou 7 anos de idade, como uma brincadeira , usando bolas, cestas e redes adequadas ao tamanho dos pequenos.

Ao jogar com equipamentos adaptados, eles têm sucesso no aprendizado, conseguem lançar a bola corretamente, não se machucam e isso os motiva a voltar. Enfim, eles podem ser bem-sucedidos e aprender a competir de forma equilibrada e sensata .

* Abel Ardigó é professor de educação física, coordenador da área de esportes do Colégio Magno, em São Paulo. Pós-graduado em treinamento desportivo e mestre em valores humanos e transdisciplinaridade.

Assunto:Família

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