Na ponta dos pés
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O balé pode ser praticado por meninos e meninas, mas deve ser voltado menos para a técnica e mais para a musicalidade, a coordenação motora e o ritmo.
Dançar é um ótimo exercício em todas as fases da vida. Melhora o condicionamento físico e o sistema cárdio-respiratório, fortalece os músculos, ajuda na socialização, na desinibição e promove o relaxamento. A dança, quando é praticada na infância, colabora ainda com o desenvolvimento motor, ajuda a criança a ter consciência corporal, domínio do corpo e ritmo. "O aluno aprende a se expressar pelos movimentos", explica a coreógrafa e professora Lara Pinheiro.
A dança também ajuda o pequeno a entrar em contato com a música, com a história da arte e o ensina a ter disciplina e a trabalhar em equipe. "Cada bailarino é responsável pelo seu desempenho, mas tem consciência de que é apenas uma parte do todo, que precisa do grupo", afirma a professora.
Porém, é preciso lembrar que, mesmo sendo benéficas para a formação da criança (pois a ajuda a desenvolver a expressão corporal), as aulas ministradas devem valorizar mais o aspecto lúdico. Elas devem ser uma grande diversão.
Um dos estilos de dança mais queridos ainda hoje, especialmente pelas meninas, é o balé clássico. A fantasia de ficar na ponta dos pés e vestir aquela roupa de princesa faz parte do imaginário de grande parte delas. Mas Lara alerta que antes dos 10 anos de idade, período em que o corpo ainda é muito frágil, as aulas de balé devem ser voltadas menos para a técnica e mais para a musicalidade, a coordenação motora e o ritmo.
O prazer de dançar
A técnica do balé clássico, seja da escola russa, americana, inglesa ou cubana, pressupõe que a coluna do bailarino não tem ondulação, ou seja, é contrária à natureza. "Como a técnica molda o corpo, forçando-o a posições antinaturais, ao invés de sentir prazer a criança que for muito exigida nessa fase pode se machucar e se frustrar", diz ela.
Na hora de escolher uma escola de balé para seu filho é preciso levar em consideração vários aspectos, especialmente o método de ensino adotado por ela e a formação dos professores. Segundo Lara, a dança deve ser ensinada dentro de um contexto.
"O conhecimento prático e teórico são fundamentais, mas não adianta querer que o aluno adquira tudo ainda na infância. Se a criança ao invés de sofrer, puder se divertir e sentir prazer em dançar, na adolescência terá melhores condições de se aperfeiçoar".
* Lara Pinheiro é coreógrafa do Grupo Dança Povera, mestre em Comunicação e Semiótica e professora do curso Comunicação das Artes do Corpo da faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Ganhadora dos prêmios APCA com a Cia. Terceira Dança (1995) e Sérgio Motta de Cultura com o vídeo-dança Paisagem (2001).
Assunto:Família