A força que vem do tatame
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A prática de artes marciais ajuda as crianças a desenvolver força, resistência, concentração, agilidade e disciplina.
Muitas escolas hoje têm aulas de artes marciais incluídas nos currículos. As crianças são fascinadas pelas lutas de origem oriental, pois muitos dos seus heróis favoritos são mestres em judô, karatê, kung fu, taekwondo, aikido, jiu-jitsu.
E, ao contrário do que temem muitos pais, estes esportes não masculinizam as meninas e não incentivam a violência, garante o professor de educação física Abel Ardigó*. "Pelo contrário, os alunos ficam menos agressivos e briguentos, pois a arte os torna mais equilibrados e tranquilos. Além disso, os alunos são orientados a não bater nos mais fracos para não apanhar dos mais fortes", diz ele.
Segundo Ardigó, o conhecimento de uma arte marcial aumenta a auto-estima e torna os pequenos mais seguros. "Eles aprendem que o lutador mais inteligente é aquele que usa a força do oponente a seu favor. Às vezes um passo atrás é suficiente para diminuir o impacto do golpe adversário".
As artes marciais trabalham o corpo e a mente em conjunto. Além de melhorar a capacidade cardio-respiratória, elasticidade, resistência, agilidade e a aumentar a força nos braços e mãos, aumenta a concentração e a velocidade de raciocínio, pois é preciso estar atento e pensar rápido para não ser derrubado.
Também ajuda os pequenos a aprenderem valores de hierarquia, disciplina, respeito e ética, explicando a eles a necessidade da existência de líderes e normas. "Muitas vezes as crianças não obedecem porque não compreendem que a disciplina é necessária para alcançar um determinado objetivo. Por isso este tema é sempre discutido nas aulas", explica Ardigó.
Ele diz que todas as crianças podem aprender e se beneficiar do aprendizado de uma arte marcial. "Basta colocar o quimono e experimentar". O único cuidado é buscar um bom professor. "Muitas escolas trabalham com ex-atletas, mas o mais importante é que todos os professores tenham conhecimentos sólidos sobre a arte que estão ensinando e estejam cursando ou sejam formados em educação física", alerta.
No Brasil, a arte marcial mais difundida é o judô, luta de origem japonesa em que não é permitido empurrar, chutar nem dar socos. O judoca derruba o adversário segurando-o pelo quimono. Um dos grandes benefícios desta arte é aprender a ir ao chão sem se machucar, já que o praticante cai muito.
"O judô é um jogo de idéias e etapas. A troca de faixa - branca, cinza, azul, amarela, laranja, verde, roxa, marrom e preta -, que indica o grau de aprendizado, não está vinculada apenas às condições técnicas, mas também ao respeito com relação ao professor e aos colegas de classe."
*Fonte: Abel Ardigó, coordenador de esportes do Colégio Magno, em São Paulo. Mestre em Transdisciplinaridade e Valores Humanos, pela Unicapital.
Assunto:Família