Adeus, insônia
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Confira as dicas para tentar afastar a insônia, que é o distúrbio do sono mais comum entre os adultos.
Estima-se que a agonia de não conseguir dormir é um distúrbio que atinge cerca de 30% da população mundial (e as mulheres estão em maioria neste imenso grupo). A insônia pode ser classificada como aguda ou crônica, de acordo com a sua duração.
Segundo os especialistas, a insônia aguda costuma durar menos de uma semana e pode ser motivada por um problema isolado (como o estresse, a perda de um ente querido, uma preocupação cotidiana). Neste caso, a principal dificuldade é a de pegar no sono.
O problema pode se tornar crônico se a insônia persistir por mais de um mês. Entre as causas mais comuns deste tipo de insônia estão os problemas físicos, psiquiátricos e decorrentes da ingestão de alguns medicamentos. Na maioria das vezes, as mulheres de todas as faixas etárias são acometidas por esse tipo de insônia.
De acordo com o neurologista Flávio Aloi*, ao contrário da aguda, a insônia crônica afeta o rendimento profissional e a qualidade de vida. "Muitas vezes, ela está relacionada ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos, como depressão, ansiedade, abuso de bebidas alcoólicas e hipnóticos", afirma o neurologista.
Ele explica ainda que a insônia pode ser inicial, intermediária ou terminal com despertar precoce. "Na primeira o paciente tem dificuldade de pegar no sono, que não dura mais de trinta minutos. A intermediária é aquela em que a pessoa acorda várias vezes durante a noite e na terminal o paciente desperta mais cedo que o habitual."
O médico explica também que o diagnóstico é complexo e que a insônia tanto pode ser causa como consequência de algum problema. "A determinação definitiva não é fácil, por isso atualmente prefere-se o conceito de insônia comorbidade (associada a outras patologias psiquiátricas) do que o de insônia secundária (quando apenas o tratamento da patologia primária bastaria para eliminar e prevenir os problemas relacionados ao sono)."
As consequências de sucessivas noites mal dormidas são fadiga, transtornos de humor, déficit de atenção, concentração e memória, irritabilidade, sonolência excessiva diurna, acidentes de trabalho ou trânsito, cefaléias, tensão, sintomas gastrintestinais, entre outros.
Mas para Aloi é importante desmistificar falsas idéias sobre o problema, mostrando ao paciente que as causas são múltiplas e que, ao contrário do que muitos acreditam, duas noites de sono ruim não fazem ninguém entrar em colapso nervoso. "Também é importante orientar as pessoas sobre expectativas irreais de sono. Nem todo mundo precisa dormir oito horas para sentir-se bem no dia seguinte."
O tratamento da insônia é feito com técnicas de higiene do sono (dicas abaixo), psicoterapia e, em alguns casos, prescrição de hipnóticos. "A combinação é a que apresenta melhores resultados a curto prazo". Mas lembre-se que apenas um profissional pode prescrever um tratamento contra a insônia!
Dicas para tentar afastar a insônia
Ir para a cama no mesmo horário todas as noites Oito horas antes de dormir, evitar produtos com cafeína Tomar um banho quente ou fazer escalda pés Fazer exercícios físicos de cinco a seis horas antes de se deitar, de preferência sob exposição solar Praticar técnicas de relaxamento, como meditação e exercícios respiratórios Tirar a tevê do quarto Ir para a cama quando estiver com sono Usar a cama apenas para dormir (evite ler, comer ou assistir televisão na sua cama) Se não conseguir dormir, ir para outro ambiente, com pouca luminosidade Programar o relógio para despertar todo dia no mesmo horário Não cochilar durante o dia
*Flávio Aloi, neurologista, coordenador do Laboratório do Sono do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
Assunto:Família