Ai que medo!
Bem-Estar
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O medo do escuro é normal na infância e pode ser minimizado com o auxílio de brincadeiras.
O medo de escuro é um acontecimento normal durante a infância, especialmente quando a criança tem até 10 anos de idade. Ele está relacionado essencialmente ao temor do pequeno diante do desconhecido. Para entender o que tem afetado seu filho e ajudá-lo a superar o medo, em primeiro lugar, é necessário identificar o que ele teme: ladrão, bichos, fantasmas...
Em seguida, é hora de assegurar ao pequeno que esses perigos não podem atingi-lo dentro de casa. Por exemplo: mostre que as janelas estão trancadas, explique que monstros não existem, abra os armários e mostre que não há nada escondido dentro deles.
As brincadeiras também são fundamentais no processo de ajudar o pequeno a vencer o medo do escuro. As mais eficazes, segundo a psicóloga infantil Suzy Camacho*, são as tradicionais cabra-cega e esconde-esconde no escuro. Nessa hora, pais e crianças devem embarcar na brincadeira.
Outra maneira de tratar o assunto de forma divertida é dar ao pequeno uma lanterna para que ele a coloque debaixo do travesseiro e faça teatro de sombras. "Esconder objetos que brilhem na escuridão em locais de fácil acesso também é um jogo interessante", diz a psicóloga.
Para que o medo do escuro seja amenizado durante a noite, uma alternativa é colocar uma luz de presença no quarto ou deixar o abajur aceso. Mas não é recomendável que o baixinho se habitue a só adormecer quando há claridade, porque o sono reparador exige escuridão total. "Os pais podem começar com uma luz no local, depois passar para o corredor e ir distanciamento o foco de luminosidade até que a criança não precise mais dele para pegar no sono", ensina Suzy.
Respeito é fundamental!
A psicóloga faz questão de frisar que os adultos não devem, de maneira alguma, ridicularizar o pequeno por causa de seus medos. "É fundamental que os pais tenham tolerância com as dificuldades da criança, pois se não o fizerem isso se refletirá na sua auto-estima". Segundo a psicóloga, eles devem explicar que o medo é um sentimento normal e não sinônimo de fraqueza.
Outra tática para atenuar o medo das crianças é incentivá-las a enfrentá-lo gradativamente. Se ela, por exemplo, tem medo de ir sozinha ao banheiro quando as lâmpadas estão apagadas, peça para chegar até onde é capaz e todos os dias repita a brincadeira em ambientes diferentes. "A cada passo, vibre com sua vitória", ensina a especialista.
Se mesmo estas táticas não funcionarem e ela continuar tendo problemas para dormir, é preciso buscar a ajuda de um psicólogo, pois uma criança que não dorme adequadamente também não consegue acompanhar as aulas.
"Se o desespero da criança for muito grande, o pai ou a mãe podem colocar um colchão no chão do quarto dela para se deitarem até que ela pegue no sono, mas não devem ficar de mãos dadas nem abraçados. Também não se deve permitir que ela vá sempre para a cama deles, pois assim estarão estimulando sua insegurança."
*Suzy Camacho é psicóloga infantil, terapeuta familiar e autora do livro "Guia Prático dos Pais". Formou-se pela FMU São Paulo em 1984. Trabalha há doze anos com psicoterapia infantil e de adolescentes.
Assunto:Família