Dislexia: apoio dos pais é fundamental!
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Se for tratado, o distúrbio, que dificulta a capacidade de ler e escrever, permite ao aluno ter uma vida escolar tranqüila.
Muitas crianças enfrentam dificuldades de aprendizado, porém há uma pequena parcela que sofre de um problema mais grave: a dislexia, um transtorno de origem biológica que dificulta a capacidade de ler e escrever .
Mesmo não sendo um distúrbio encontrado com frequência, quem nasce com ele sofre bastante durante o período escolar , especialmente se o diagnóstico demorar a ser feito.
"Já tive pacientes disléxicos cujos pais só procuraram ajuda quando o filho tinha 15 anos. Até então eles sofreram horrores, sendo chamados de burros pelos colegas e vendo sua auto-estima diminuir", diz a pedagoga Maria Irene Maluf*.
O diagnóstico da dislexia é feito por um profissional, mas algunssinais podem ajudar a perceber a existência da dislexia:
Há pelo menos dois anos a criança não consegue atingir os patamares de aprendizado dos coleguinhas da mesma idade. O pequeno tem dificuldade de memorização de números. A criança, já na faixa de 4 a 6 anos de idade, ainda fala como bebê, omitindo letras, trocando o L pelo R, o A pelo O, o V pelo S e confundido o T e o D. O vocabulário é pobre. Tem dificuldade de diferenciar cores, formas, tamanhos (pequeno, médio, grande) e direções (em cima, em baixo, direita, esquerda). Tem dificuldade perceptiva motora , ou seja, não sabe dizer onde fica a cabeça ou o estômago, por exemplo. Tem lentidão motora. Persiste nos movimentos gráficos invertidos . Por exemplo: começa a fazer o 9 de baixo para cima. Durante a leitura , troca uma palavra por outra. Bicudo pode ler cubido, mala pode sair fala. Ou se a palavra é bolsa, pode ler mala, objeto que tem função semelhante. Tem dificuldade de separar palavras em um exercício. Exemplo: eugostomuitodesorvetedechocolate. A criança não consegue contar uma história na sequência, com começo, meio e fim.
A presença de um disléxico na família é outro indício. "O distúrbio tem causasgenéticas ", lembra a pedagoga.
A boa notícia é que, comtratamento adequado , o disléxico pode ter uma vida escolar absolutamente tranquila. Quanto antes os pais procurarem acompanhamento psicopedagógico, melhor.
No entanto, o primeiro passo é admitir que o filho precisa de ajuda. "Se a criança vai mal na escola, o melhor a fazer é buscar orientação de profissional especializado para analisar o que está acontecendo", afirma Maria Irene.
E é preciso que fique claro que nem todas as crianças com baixo rendimento escolar são disléxicas. Pelo contrário: apenas 3% da população sofrem com o problema, enquanto de 10% a 15% têm dificuldade de aprendizado. Para todas há tratamento, basta procurar ajuda profissional .
O melhor que os pais podem fazer é aceitar a situação, procurar ajuda e ter paciência. "Além disso, é importante mostrar à criança que ela não é burra nem preguiçosa, mas que enfrenta uma condição um pouco diferente e que tem tratamento".
Ao perceber isso, ela ficará aliviada ao perceber que essa situação tem solução. É fundamental que seu filho conte com a aceitação e o suporte da família , para que consiga superar suas dificuldades.
*Maria Irene Maluf, pedagoga especializada em psicopedagogia e educação especial. Conselheira vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPP).
Assunto:Família