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Atividades físicas são fundamentais para que as crianças se desenvolvam de maneira ampla e saudável.
Aprender é a grande missão das crianças durante a infância, fase repleta de corre-corre, quedas, risos, choros e atividades diversas. Tudo parece uma eterna brincadeira, porém, enquanto se diverte, a criança recebe informações que serão importantes para o resto da vida: o corpo aprende a ter coordenação motora, a realizar os movimentos e desenvolve sua força e desenvoltura aos poucos, de acordo com o que é vivenciado.

Por conta disso, num tempo em que games e computadores estão entre as atividades preferidas da garotada, é importante adotar medidas para que o desenvolvimento físico do pequeno aconteça de maneira plena. A realidade virtual exige tão pouca movimentação que é preciso incentivar ainda mais a prática de ações que exercitem o corpo.

Nas escolas, esportes e as atividades físicas costumam ter seu espaço reservado. As aulas de educação física, vista por muitos alunos como uma chata obrigação, merecem ganhar o status de atividade fundamental. Isso porque práticas esportivas iniciadas no período escolar podem perdurar por toda a vida, assim como o gosto pela atividade física em si.

"O trabalho de educação física para crianças deve ter um conteúdo que atenda às necessidades relacionadas ao aluno como um todo e à formação de sua personalidade" explica o educador físico João Bellini*. "Os educadores devem atentar aos domínios motores, cognitivos e afetivos, com atividades elaboradas para desenvolver esses aspectos, além da socialização e da cultura, transmitindo os ensinamentos para as crianças de maneira lúdica e prazerosa", afirma.

Segundo Bellini, as atividades físicas e esportivas desenvolvem muito mais que músculos, capacidade aeróbica e consciência corporal. Elas fazem com que os pequenos fiquem menos ansiosos, mais sociáveis e desenvolvam maior capacidade de concentração e de aprendizado.

Como o prazer é a premissa básica, vale oferecer às crianças opções diversas e ficar atento àquelas com que elas mais se identifiquem. Entre as possibilidades estão os esportes tradicionais como natação, vôlei, basquete e futebol e até atividades com conteúdo mais lúdico e artístico, mas que também contemplem o desenvolvimento físico.

"Atividades não tão convencionais, como o circo e a capoeira, são excelentes por atenderem a todos os pré-requisitos necessários a uma aula de qualidade. Esses trabalhos desenvolvem o reconhecimento do próprio corpo e seu controle, possibilitam atividades em grupos de diversos tamanhos e estimulam a socialização e a construção de valores para com o próximo. Atividades rítmicas e que estimulem a cognição e a capacidade de improviso também são indicadas como complemento das recreações físicas", diz Bellini.

Exemplo também educa

Em casa, o exemplo dos pais ganha lugar de destaque. Pais sedentários e que não valorizam atividades físicas acabam por não desenvolver nas crianças o hábito de se exercitar. E mais: esse comportamento pode levar os pequenos a acreditarem que esportes e ações que façam o corpo se mexer - uma aula de dança, um passeio de bicicleta e até uma caminhada com os amiguinhos - são sacrifícios.

Portanto, pais e educadores, enquanto verdadeiros heróis da garotada, devem dar o bom exemplo, mantendo atitudes saudáveis e praticando atividades físicas regulares. Essa é uma ótima maneira de educar!

Em contrapartida, também não é justo usar as atividades que sejam prazerosas para os pequenos como moedas de troca, suspendendo-as como forma de punição, por exemplo. Mais correto é que a criança deixe seu corpo aprender, quase sem perceber que está diante de uma atividade com um objetivo pedagógico.

"Naturalmente, as atividades destinadas às crianças vêm permeadas por ricas manifestações culturais, simbolismos, jogos, histórias e brincadeiras que dão prazer e motivação. Se eles gostarem do que fazem, sentirão vontade de aprender mais e mais", explica João Bellini Jr.

Respeitando os próprios limites e aprendendo a respeitar os limites dos outros, sempre contando com o acompanhamento de um educador especializado ou de um adulto, cada criança envolvida nesse mundo de brincadeiras e jogos terá mais chances de se transformar num adolescente saudável e adotar hábitos sadios na vida adulta.

Durante a infância, coleciona-se lembranças que estarão presentes para sempre em seus corpos. Verdadeiras memórias físicas que podem ajudar a determinar o equilíbrio emocional de cada um, além de estabelecer uma relação mais sólida com a saúde e o bem-estar.

João Bellini Jr. é educador físico formado pela USP (Universidade de São Paulo), professor de educação física e capoeira para crianças, arte educador com atividades no Galpão do Circo (em São Paulo), personal trainer e integrante da equipe de corridas de aventura Espírito Livre (www.espiritolivre.net).

Assunto:Família

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