Mais recreio do que intervalo
Bem-Estar
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Atividades desenvolvidas no momento do intervalo escolar podem ser determinantes para o desenvolvimento das crianças.
Toca o sinal, hora do recreio. Imediatamente, os sorrisos parecem tomar conta dos rostinhos de cada pequeno estudante, pois é o momento em que eles poderão fazer um lanche, ter um pouco mais de liberdade para conversar e, claro, poderão brincar também.
Todas as atividades que acontecem no recreio contribuem para a formação da criança, especialmente quando ela utiliza estes minutos de pausa entre as aulas para interagir com outros coleguinhas e, através de brincadeiras e jogos, socializar-se ainda mais.
"Brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento da criatividade e da capacidade de interação dos seres humanos. Nos dias de hoje, a escola aparece como o mais importante espaço institucional desse processo", diz Dr. Nelson Carvalho Marcelino*, coordenador do Grupo de Pesquisa sobre o Lazer, da Universidade Metodista de Piracicaba.
Segundo ele, não se pode encarar a hora do recreio como um simples momento para a resolução de problemas práticos. "Em muitas escolas, se vê crianças saindo da sala de aula e indo direto para a fila da cantina. Depois, partem para a fila do banheiro e, ao ouvirem o sinal, voltam para a sala. A riqueza da experiência de conviver e brincar com outras crianças acaba ficando de lado", afirma Marcelino.
Esse tipo de postura "burocrática" durante o intervalo escolar é um dos indícios de que a sociedade atual tem desvalorizado o ato do brincar - o que pode trazer prejuízos de ordem emocional e física às crianças. Estando atentos a isso, pais e educadores devem incentivar as brincadeiras dos pequenos também no intervalo.
"Não é necessário ser saudosista e querer que as crianças subam em árvores na hora do recreio. É possível mesclar atividades lúdicas mais tradicionais com outras desenvolvidas na realidade virtual. O que a criança tem de aprender é que ela tem um corpo, que precisa ser utilizado quando o assunto é brincar. Não se pode ignorar a tecnologia como ferramenta lúdica, mas é preciso equilibrá-la com atividades que permitam movimento", diz o especialista.
Não permitir que as crianças realizem apenas atividades burocráticas é ajudá-las em sua formação e seu amadurecimento, fazendo com que elas experimentem plenamente a infância, fase da vida em que a capacidade criadora e de interação estão em franco processo de desenvolvimento. Fique atento!
* Dr. Nelson Carvalho Marcelino, professor da Faculdade de Educação Física da UNICAMP (Universidade de Campinas) e coordenador do GPL (Grupo de Pesquisa sobre o Lazer) da Universidade Metodista de Piracicaba.
Assunto:Família