Pequenos acelerados
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O comportamento agitado das crianças pode ser um sintoma de hiperatividade: entenda o distúrbio, saiba como reconhecê-lo e as formas de tratamento.
A criança corre o tempo todo e fala praticamente sem parar. Na escola, não se concentra nas atividades propostas e mal consegue ficar sentada em sua cadeira. Ao mesmo tempo, é comum vê-la entretida em seus próprios pensamentos, praticamente "no mundo da lua". Mais do que demonstrarem traços de personalidade, tais comportamentos podem ser sintomas de hiperatividade, distúrbio neurológico infantil que merece especial atenção de pais e educadores.
"Existem algumas maneiras de perceber o comportamento da criança hiperativa mesmo nas atividades domésticas mais simples. Geralmente, elas não se fixam por um tempo mínimo numa só brincadeira, não conseguem ficar sentadas durante uma refeição e comem muito rápido. Costumam também fazer perguntas e continuar falando sem esperar pela resposta, além de quebrarem seus brinquedos com frequência e encontrarem dificuldades para dormir", diz o neuropediatra Abram Topczwiski.
Cabecinhas a mil
Segundo as pesquisas realizadas, o comportamento agitado dos hiperativos estaria relacionado a uma disfunção na região do cérebro chamada lobo frontal, que é onde as substâncias dopamina e noradrenalina são fabricadas.
Quando liberadas em quantidades insuficientes, elas deixam de cumprir sua função reguladora: a de "filtrar" as informações recebidas e selecionar os comportamentos mais adequados. Com menos "controle" e cheia de percepções desorganizadas, a criança tende a ficar mais agitada e desatenta.
Os prejuízos desse desequilíbrio na vida cotidiana da garotada não são poucos. Características como desatenção excessiva e dificuldade de organização podem, por exemplo, levar a rendimentos abaixo da média nas atividades escolares.
Nas relações com amiguinhos, o mesmo comportamento acelerado e desatento tende a criar estranheza, podendo deixar a criança isolada ou levando-a a ser taxada como "avoada", "burra", ou "desastrada", um verdadeiro martírio para quem está iniciando a sua vida social e se encontra no processo de construção de sua auto-imagem.
Diagnóstico e tratamento
Assim que notarem essas características ou outras dificuldades que os pequenos estejam enfrentando, pais e educadores devem procurar um especialista.
É possível, por exemplo, que a criança esteja apresentando um comportamento mais agitado por questões psicológicas - como problemas pontuais no relacionamento com os pais - e não exatamente por ser hiperativa.
"Para um diagnóstico preciso é necessário que sejam realizados exames específicos através de uma avaliação neuropediátrica ou psiquiátrica infantil. Na maioria dos casos, o tratamento é realizado através do uso de remédios e psicoterapia para a criança e sua família. Quando existe defasagem escolar, também é necessário um acompanhamento psicopedagógico", explica o doutor Abram Topczwiski.
Os sintomas costumam desaparecer depois de finalizado o tratamento, um verdadeiro alívio para os pequenos que podem aproveitar o próprio ritmo com toda a energia da infância.
Aos pais e educadores, cabe a missão de observá-los e ajudá-los a ultrapassar esse desafio, importante na construção de uma vida saudável, com mais auto-estima e equilíbrio.
*Abram Topczwiski é neuropediatra do Hospital Albert Einstein, doutor em neurociência pela UNICAMP (Universidade de Campinas) e mestre em Neuropediatria pela USP (Universidade de São Paulo). Também atua na vice-presidência da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), como médico do Grupo de Cefaléia na Infância e Adolescência da UNICAMP. É membro da International Headache Society e da American Association of Study for Headache.
Assunto:Família