Que tal brincar lá fora?
Bem-Estar
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Pais e educadores devem ficar atentos para que os pequenos não deixem de realizar atividades ao ar livre.
Dentro de casa existe o conforto, a tecnologia e a segurança de um ambiente protegido. Fora dela, há os estímulos variados, a possibilidade de contato com a natureza, além das interações e desafios naturais dos ambientes ao ar livre. Qual desses lugares tem mais destaque na rotina que constrói a estrutura física e emocional das crianças?
Atualmente, as brincadeiras em ambientes fechados têm sido mais frequentes: brinquedos sofisticados e as novidades tecnológicas substituem as tradicionais brincadeiras de rua. No entanto, brincar ao ar livre não pode sumir da vida das crianças, pois as atividades em espaços abertos também são importantes para seu desenvolvimento equilibrado.
Desenvolvimento pede espaço
A infância, em especial o período de zero a seis anos de idade, marca uma época privilegiada no desenvolvimento humano. Nessa fase, o organismo cresce de modo acelerado e são adquiridas funções neurológicas, psíquicas e motoras.
"É muito importante que as crianças adquiram experiências realizando atividades em espaços abertos e ricos em estímulos. Nesses ambientes, elas poderão amadurecer noções básicas fundamentais como a de esquema corporal, orientação espaço-temporal, lateralidade, entre outras", explica a psicóloga e pesquisadora na área de atividades lúdicas Célia Vectore.*
Segundo Célia, as atividades lúdicas são as mais indicadas para os momentos ao ar livre. Jogos, brincadeiras e dinâmicas têm seus efeitos ampliados com estímulos naturais como a luz do sol, o vento ou o contato com plantas e animais.
Além disso, estando longe de um ambiente confortável e familiar, a criança se depara com novos problemas e padrões. Como consequência, encontra espaço para desenvolver a capacidade de criar soluções práticas para seus problemas - lembrando que é fundamental que um adulto supervisione as atividades.
Incentivo também na escola
Nas escolas, também deve haver a preocupação desta busca pelo equilíbrio, promovendo-se atividades tanto em ambientes fechados quanto em ambientes abertos.
Porém, pesquisas recentes apontam a diminuição do tamanho dos pátios em centros de educação infantil de todo o mundo. Infelizmente, o prejuFízo é das crianças, que ficam com menos espaço para desenvolver suas habilidades.
Segundo tese de doutorado defendida pelo psicólogo Fábio Sager, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em pátios escolares pequenos as dificuldades de relacionamento tendem a ser maiores. O estudo aponta que a falta de espaço faz com que os alunos criem brincadeiras individuais e, em defesa de seu "território", briguem mais facilmente.
Não basta oferecer às crianças a oportunidade de brincar ao ar livre. É necessário atentar para as condições desse ambiente e também cuidar da segurança nas brincadeiras, jogos e interações que ocorrem durante essas atividades. Todos esses cuidados trarão mais saúde e equilíbrio emocional para as crianças. Uma recompensa e tanto!
* Célia Vectore é psicóloga com doutorado em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP (Universidade de São Paulo), coordenadora do projeto de pesquisa "Por trás do imaginário infantil" e professora adjunta da Faculdade de Psicologia da UFU (Universidade Federal de Uberlândia).
Assunto:Família