“Os filhos são para o mundo”. Quantas vezes você já ouviu essa expressão? Muitas, não é mesmo? E a cada dia, tenta aceitar isso e criar seu filho da melhor maneira possível. Porém, muitas vezes, a realidade que encontra fora de casa traz um grande dilema sobre a educação que está sendo dada aos pequenos. Quem está passando por essa fase é Ingrid Strelow, autora do blog Desconstruindo a Mãe, que divide com a gente seus questionamentos.

Foto enviada por Ingrid Strelow
Meus filhos são crianças bastante doces e amorosas. Felizmente, isso vem da personalidade deles e considero que temos um papel importante no estímulo a esse comportamento caloroso dos dois, por sermos uma família afetuosa. Faz parte de nós, pais, avós, tios, primos e padrinhos.
De uns tempos pra cá, porém, o Caio, que tem dois anos e nove meses, tem se mostrado bastante irritadiço e muito agressivo. Começou a fazer várias coisas de que não tinha o hábito, como bater na irmã mais velha (que tem sete anos), jogar os brinquedos longe e atirar-se ao chão quando contrariado.
Num primeiro momento, seria de se pensar que ele está cansado ao chegar da escola, então a frustração num momento de sono seria cabível... Será? Essa pergunta veio da observação de que, o que era esporádico, se tornou frequente, mesmo com nossa intervenção e em horários diversos, e não apenas quando está cansado.
Não somos pais que costumam justificar o comportamento indesejado de um filho e passar a mão na sua cabeça; pelo contrário, conversamos e o colocamos para pensar quando o diálogo não acontece, para que dê tempo e espaço para “baixar a poeira”.
Nessa idade, sei que o Caio vive o egocentrismo e a disputa por espaço com a irmã e com quem mais estiver no ambiente, então, interrupções às nossas conversas e não querer dividir os brinquedos é muito natural. Só que deixar passar é o mesmo que dizer: continue fazendo isso!
Com o tempo, consegui que o Caio verbalizasse o que o incomodava: “o amiguinho da escola me bateu”, me contou e deu os nomes de amiguinhos que tinham essas atitudes.
É natural que, entre os dois e três anos, a criança não tenha os argumentos necessários para negociar uma troca ou pedir emprestado, garantindo que devolverá o objeto de seu interesse ao colega. Nessa situação, então, espera-se que as professoras atuem e expliquem.
Não posso negar que trabalhos sobre combinações de regras de convivência estejam sendo realizadas na escolinha que o Caio frequenta desde fevereiro. O problema é que isso vem acontecendo há meses e, agora, um único colega o escolheu como alvo preferencial.
Minha primeira atitude foi levar a preocupação com o comportamento do filho à professora e foi sugerida parceria com a psicóloga para que víssemos onde poderia estar a causa dessa ansiedade e agressividade do meu filho. Nada mudou. Então, enviei bilhetes pela agenda perguntando se algo de diferente estava acontecendo, mas a resposta sempre foi “está tudo ok!”.
Agora que o Caio verbalizou, começaram a vir os relatos de tapas no rosto e até uma mordida bem feia na mão. Então, vem a pergunta: como proceder?
Desejamos criar os filhos para o mundo, com certeza. Mas vejo que a minha preocupação em ensinar ao meu filho brincadeiras saudáveis não é a mesma que percebo em outras famílias. Vejo coleguinhas do meu gurizinho levando armas, espadas e facas aos dois e três anos de idade, no dia do brinquedo. Brincar de lutar e a expressão “vou te matar” me surpreenderam ao sair da boca do meu filho, pois ele nunca foi incentivado a fazer isso aqui em casa, nem em outros ambientes que frequenta.
Assim, procurei saber da escola como ela está lidando com isso, pois de uns dias pra cá ouço meu filho dizer que sente saudades da escola, mas na hora de sair, ele começa a chorar, dizendo que não quer mais ir pra lá. Hoje mesmo disse que não queria levar brinquedos pra escola porque o amigo poderia bater nele pra ter o que quer. Ele está com medo mesmo! Será que estou aumentando o tamanho do problema?
Ao desejar deixar um bom ser humano para o mundo, para que este planeta seja um lugar melhor de se viver, não penso em tentar resolver tudo pelo meu filho e nem desejo ensiná-lo a bater como forma de defesa. Sempre procuro explicar que é importante emprestar os brinquedos, que os amiguinhos também sentem curiosidade e podem emprestar pra ele o que forem levar para a aula.
Mas desejo também que os pais do menino que resolve tudo na bordoada sejam apoiados – talvez estejam preocupados como eu estou – na busca por um equilíbrio, pois já vi que o menino “pira” quando contrariado e tudo para por causa de seus chiliques.
O mundo não vai parar para atender as vontades de nossas crianças e nem irá tolerar uma pessoa adulta birrenta. Ela se tornará alguém de difícil convívio e é isso que estamos tentando passar para nossos filhos, entre tantos outros valores. O diálogo e a cooperação valem a pena! E quem não aprende isso, estará sempre competindo, disputando, por exemplo, no trânsito, para ver quem é melhor motorista (e colocando vidas em risco), ou brigando pela menina que deseja namorar, ou por coisas pequenas, porque não saberá lidar com a frustração e desconhecerá os limites que nos permitem conviver em sociedade.
Por isso, hoje terei uma conversa com a psicóloga da escola, torcendo para que a nossa parceria resulte em apoio para as crianças, sem culpar ninguém. Desejo, de fato, que o Caio continue na escola, por diversos aspectos em que ela tem sido ótima. Porque também acho que tirá-lo de lá, bruscamente, seria como dar um castigo por algo que ele não fez.
O que vocês acham? Como agiriam?