Comida não é moeda de troca!
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Comida não é moeda de troca!

O estabelecimento de hábitos alimentares se dá por volta dos 2 aos 3 anos de idade.

Desde a vida uterina, a criança esteve em contato com diferentes aromas e sabores que foram amadurecendo até o nascimento e, posteriormente, por meio da amamentação e introdução de alimentos. Uma vez que o alimento se torne familiar ao paladar das crianças, há uma tendência de que a preferência se perpetue ao longo da vida. A importância da criança entrar em contato com novos alimentos e sabores desde cedo.

*Procure sempre orientação do pediatra ou nutricionista para iniciar a introdução de alimentos. A Organização Mundial da Saúde recomenda exclusivamente amamentação até o 6o mês de idade.

Observa-se, entretanto, que crianças de 2-5 anos começam a apresentar comportamento neofóbico (resistência a experimentar novos alimentos), uma vez que elas começam a explorar o ambiente e a se alimentarem sozinhas. Porém, é importante enfatizar que esse é um comportamento transitório e que a neofobia alimentar não constitui rejeição permanente a determinado alimento. Na verdade, ela atenua-se ao longo do tempo.

Por isso, nessa fase, é muito importante a presença dos pais e familiares para reforçar a importância de manter uma alimentação equilibrada e variada de maneira positiva. Apesar da relutância, é importante manter a oferta e o estímulo para o consumo de verduras, legumes e frutas. Um estudo identificou que crianças aceitam melhor um alimento novo quando ele é oferecido e consumido por outra pessoa, mais do que quando é somente oferecido.

Muitos pais, com o intuito de “forçar/estimular” as crianças a comerem determinados alimentos, acabam usando-os como moeda de troca/recompensa/premiação.

Um estudo verificou que adultos com compulsão ou problemas de ingestão alimentar relataram que, na infância, os pais utilizaram a alimentação para controlá-los, como recompensa quando tinham bom comportamento e como punição para castigá-los ou para fazê-los felizes se estavam tristes. Por isso, o famoso estímulo: “Só vai ter sobremesa depois de comer toda a salada” deve ser evitado. o contrário do que os pais possam esperar, esse recurso não desenvolve o gosto da criança pelo alimento, já que ela só o consome porque vai ter algum benefício, ou será privada dele, se não comer. Experiências positivas e negativas quanto à alimentação no decorrer da infância interferem diretamente nas escolhas alimentares. Comer à custa de insistências, agrados e distrações não é uma boa opção.

Outro dado importante é que a restrição dos alimentos preferidos das crianças vai fazer com que elas o consumam exageradamente em situações de “liberdade”. Por isso, procure balancear as preferências com outros alimentos, sempre reforçando a importância do equilíbrio e da variedade.

DICAS PARA ESTIMULAR SEU FILHO A COMER MELHOR:

  • Faça as refeições em família e dê o exemplo
  • Convide as crianças a participarem da organização da mesa e do preparo das refeições
  • Crie um ambiente agradável e não associe a alimentação a um momento de troca/premiação
  • Monte pratos coloridos e ofereça os alimentos em preparações diferentes para que a criança possa ampliar sua experiência sensorial

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Vitolo, Márcia Regina. Nutrição: da gestação ao envelhecimento. Rio de Janeiro: Ed. Rubio, 2008.

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Escrito pela

Dra. Lia Takeyama