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Bem-vindo ao mundo dos probióticos

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Nos últimos anos os holofotes da ciência andam voltados à microbiota intestinal. E, nesse enredo, as bactérias probióticas atuam como protagonistas, com influência sobre a imunidade e o humor, entre outros atributos

Pela volta das frutas na alimentação.

Os probióticos impedem que as mucosas intestinais sejam colonizadas por bactérias patogênicas, além de estimular a produção de substâncias que fortalecem as respostas imunes.

Por Regina Célia Pereira, para Estúdio Abril Branded Content

São, ao menos, 10 trilhões de inquilinos no nosso organismo que intrigam os cientistas. Há quem fale em 40 e até já se chegou a 100 trilhões. Grande parte dessa imensa população de bactérias habita o intestino e precisa estar em equilíbrio para trazer repercussões que vão além da boa digestão. “Trata-se de um universo que foi negligenciado durante um longo tempo”, diz a nutricionista Nadine Nunes Galbes, da RG Nutri e doutoranda na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Ainda que falte muito a ser elucidado dentro desse contexto, não resta dúvida sobre o papel benéfico dos probióticos, ou seja, de certos micro-organismos que, além de povoar o cólon, incrementam leites fermentados, iogurtes e tantos outros produtos alimentícios, suplementos e medicamentos. Um dos pioneiros a apostar nesse contingente foi o biólogo russo Elie Metchnikoff (1845-1916), que ganhou o Prêmio Nobel de Medicina, em 1908, por seus estudos a respeito do sistema imune.

O desempenho dessas bactérias em prol da imunidade já reúne grande quantidade das evidências científicas. Uma revisão recém-publicada no periódico científico Journal of Food Biochemistry comprova tais feitos.[1] O exército probiótico impede que as mucosas intestinais sejam colonizadas por bactérias patogênicas. Promove também o estímulo à produção de agentes como as células natural killer NK e as imunoglobulinas, num combo que fortalece as respostas imunes.

Probióticos: cada qual na sua função

Nesse contingente de defesa, dois gêneros são os que mais aparecem nos estudos e merecem destaque: Bifidobacterium ou Bifidobactérias e Lactobacillus ou Lactobacilos. E dentro dessa divisão há diversas espécies e tipos, sendo que cada qual carrega seu RG e se distingue em suas ações. “Os efeitos variam de acordo com a cepa, por isso não se deve generalizar”, comenta Susana Marta Isay Saad, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

Os pesquisadores têm se debruçado sobre essas particularidades para eleger o tipo mais apropriado de acordo com a ocasião. Só como exemplo, há cepas que favorecem os movimentos peristálticos, combatendo, assim, a constipação. Por outro lado existem aquelas que trabalham contra a diarreia – essa função clássica, aliás, também acumula evidências robustas. Um trabalho realizado pelo centro de pesquisas Cochrane avaliou 63 estudos, com um total de 8.014 pessoas, e mostrou uma redução na frequência de evacuações e menor tempo de duração da diarreia entre aqueles que receberam probióticos.[2]

Outros benefícios andam despontando nos laboratórios. A atuação em distúrbios como a depressão tem sido esmiuçada por estudiosos mundo afora – uma investigação publicada no periódico Nutrients aponta esse elo. [3] Pesquisas mostram que certas bactérias colaboram para a produção dos neurotransmissores do bem-estar, caso da serotonina. Cuidadosos, entretanto, os cientistas frisam a necessidade de novos trabalhos antes de bater o martelo, ainda que não restem dúvidas sobre a conexão entre o cérebro e o intestino.

A mesma cautela é solicitada para a relação dos probióticos com a obesidade. Embora também haja comprovação de que o desequilíbrio na microbiota seja comum entre os obesos, os pesquisadores preferem avaliar com mais propriedade os efeitos dos tais micro-organismos benéficos. Por enquanto, os resultados são bem animadores, não custa salientar.

Os estudiosos também querem aumentar o leque de alimentos com esses micróbios favoráveis à saúde. Além dos mencionados leites fermentados e iogurtes que hoje preenchem as gôndolas de supermercados, logo teremos outras opções. “Lá fora já existem bebidas à base de soja, sobremesas, sucos de frutas”, exemplifica a professora Susana. É preciso garantir que as bactérias consigam passar, vivas e em grande volume, pelos famigerados ácidos estomacais e que cheguem e se instalem no intestino.

Prebióticos: refeição para os micro-organismos

Outra tropa que atravessa incólume o estômago são os prebióticos. Trata-se de fibras e outras substâncias que contribuem para a proliferação e o fortalecimento das probióticas. “Antes eram considerados prebióticos basicamente os carboidratos não digeríveis, mas atualmente incluíram até compostos fenólicos nesse grupo”, comenta Susana. O principal critério é que favoreçam a multiplicação das bactérias benéficas. Eles estão por trás da formação de ácidos graxos de cadeia curta, caso do butírico, do lático, do acético e do propiônico, uma turma com comprovada ação anti-inflamatória. Também se sabe que alteram o pH intestinal, pelo processo fermentativo, e assim colaboram para a melhora na absorção de nutrientes como o cálcio.

Simbióticos: tudo junto e misturado

Entre os prebióticos mais investigados estão os fruto-oligossacarídeos (FOS) e a inulina, que aparecem naturalmente em alimentos como o aspargo, a alcachofra e a chicória. E quando há junção com as bactérias probióticas num mesmo produto surge o chamado simbiótico. “Os efeitos, tanto de um quanto do outro, acabam potencializados”, opina Nadine. São combinados de maneira minuciosa para alcançar essa vantagem. Já há no mercado versões de lácteos que oferecem a dupla, mas também são esperadas mais novidades.

Posbióticos e os paraprobióticos: vem muito mais por aí

Outros que estão na mira da ciência são os posbióticos e os paraprobióticos ou parabióticos. São tantos nomes nessa história que, convenhamos, as designações podem até gerar confusões. “Como esses dois termos são relativamente novos, é comum haver falta de consenso na definição”, afirma Nadine.

Para alguns, a palavra posbiótico refere-se às substâncias liberadas pelas bactérias e que são acrescidas em alimentos. Em outras palavras, seriam subprodutos delas. Inclusive os ácidos graxos de cadeia curta e até mesmo enzimas como a lactase podem ser classificados como tais, com efeitos positivos à saúde. [4]

Os paraprobióticos ou parabióticos, por sua vez, são constantemente empregados para designar os micróbios inativos ou as frações de suas células. Eles devem apresentar potencial para atuar positivamente no organismo e há inclusive trabalhos que mostram efeitos no humor. [5] Uma das vantagens dos parabióticos, diga-se, é que poderiam ser empregados em alimentos que não precisam de refrigeração.

Com tantos nomes e tantas funções, não é de estranhar que também se use uma definição invertida, pois há quem classifique os posbióticos como micro-organismos mortos e os parabióticos como subprodutos gerados pelas bactérias. Uma coisa é certa: esse é um universo com muito a ser desvendado e – ainda bem – cheio de promessas sobre seu potencial para a saúde.

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Referências:

  1. [1] Tang C, Lu Z. Health promoting activities of probiotics. Journal of Food Biochemistry. 2019. Disponível em [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/jfbc.12944]
  2. [2] Allen SJ, Martinez EG, Gregorio GV, Dans LF. Probiotics for treating acute infectious diarrhoea. Cochrane Systematic Review. 2010. Disponível em [https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD003048.pub3/full]
  3. [3] Huang R, Wang K, Hu J. Effect of Probiotics on Depression: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Nutrients. 2016. Disponível em [https://www.mdpi.com/2072-6643/8/8/483]
  4. [4] Aguilar-Toalá JE, Garcia-Varela R, Garcia HS, Mata-Haro V, González-Córdova AF, Vallejo-Cordoba B, Hernández-Mendoza A. Postbiotics: An evolving term within the functional foods field. Trends in Food Science & Technology. 2018. Disponível em [https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0924224417302765]
  5. [5] Murata M, KondoJ, Iwabuchi N, Takahashi S, Yamauchi K, Abe F, Miura K. Effects of paraprobiotic Lactobacillus paracasei MCC1849 supplementation on symptoms of the common cold and mood states in healthy adults. Beneficial Microbes. 2018. Disponível em [https://www.wageningenacademic.com/doi/abs/10.3920/BM2017.0197]