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Cuidados com a imunidade em tempos de pandemia

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A Covid-19 desafia os sistemas de saúde pelo mundo e faz crescer a procura por informações sobre o papel da alimentação no reforço do sistema imunológico

De acordo com a Sociedade Internacional de Imunonutrição, a orientação geral é ter uma dieta diversificada e equilibrada, rica em frutas e legumes coloridos.

De acordo com a Sociedade Internacional de Imunonutrição, a orientação geral é ter uma dieta diversificada e equilibrada, rica em frutas e legumes coloridos.

Diante da situação sanitária que deixará marcas profundas no século 21, não param de surgir indagações aos profissionais de nutrição a respeito de alimentos capazes de fazer diferença na complexa rede de células e moléculas do sistema imunológico, protegendo o organismo de agentes infecciosos como o coronavírus, ou Sars-CoV-2. Embora seja sempre necessário alertar que não existem ingredientes mágicos por si só, é igualmente importante reafirmar que manter níveis adequados de nutrientes na dieta faz parte de uma estratégia eficaz para estimular as defesas do corpo, capacitando-o a enfrentar invasores nocivos.

Vale destacar que a imunidade se apoia ainda em pilares como praticar atividade física, fundamental para o manejo de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, [1] relacionadas a desfechos mais graves de quadros de Covid-19. Dormir bem é outro requisito, uma vez que a privação de sono pode aumentar a vulnerabilidade a doenças infecciosas.[2] Sem contar que movimentar o corpo e garantir descanso durante a noite ajuda a atenuar o estresse, componente que também interfere na resposta imune a infecções. [3]

Idosos no radar da saúde

No contexto da Covid-19, é preciso levar em consideração ainda questões desafiadoras, como o impacto de fatores de risco em sua evolução e seu desfecho – a exemplo de idade, obesidade e presença de doenças crônicas.

De acordo com a nutricionista Myrian Najas, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e integrante do conselho da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a preocupação com os idosos tem razão de ser: “Independentemente da Covid-19, o que acontece no envelhecimento é exatamente a alteração de nosso sistema imunológico, inclusive em razão de alimentação desequilibrada ao longo da vida. Em geriatria, chamamos esse processo de inflammaging, ou seja, uma inflamação sistêmica que prejudica a resposta de nosso corpo à presença de algum agressor”, descreve Myrian.

Doenças crônicas como agravantes

Para complicar, é comum encontrar na população de idosos condições como excesso de peso, diabetes e hipertensão. Segundo dados de 2019 da Vigitel – a pesquisa feita por telefone com brasileiros acima de 18 anos nas capitais dos 26 estados do país –, a obesidade atinge 20,3% da população adulta, e o excesso de peso, 55,4%. Já os hipertensos são 24,7% – sendo que 60,9% dos respondentes com mais de 65 anos declararam ter sido diagnosticados com pressão alta. O diabetes, que afeta 7,7% na população adulta em geral, chega a 23% na faixa etária superior a 65 anos. [4]

O contágio de Covid-19 em pessoas com doenças crônicas, independentemente da idade, é motivo de preocupação dos profissionais de saúde. “No diabetes, os níveis descontrolados deixam o indivíduo mais suscetível a qualquer infecção”, diz a nutricionista Silvia Ramos, coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes. “A evolução da doença para uma forma mais grave nesse caso está diretamente associada ao mau controle glicêmico prévio”, continua.

“Por isso, neste momento, os profissionais de nutrição, que estão autorizados pelo Conselho Federal de Nutricionistas a fazer atendimento não presencial, devem encorajar os pacientes a zelar pela variedade de alimentos e manter a frequência daqueles que contêm imunonutrientes”, completa Silvia.

A nutrição como defesa

Em março de 2020, membros do conselho da Sociedade Internacional de Imunonutrição (ISIN, na sigla em inglês) assinaram o posicionamento da entidade diante das incertezas geradas pela pandemia do novo coronavírus: “Há muitas evidências de estudos em animais e em humanos de que a nutrição antioxidante e os nutrientes relacionados dão suporte para o sistema imunológico funcionar corretamente. A orientação geral é ter uma dieta diversificada e equilibrada, rica em frutas e legumes coloridos”. No que diz respeito aos idosos, indicaram os especialistas da ISIN, a sugestão é aumentar a ingestão de vitamina E, zinco, vitamina C e, para pessoas com baixo nível sérico, também de vitamina D – esse rol de nutrientes atua na melhora de rendimento das células T e B do sistema imunológico.[5]

No plano nutricional, a atenção recai também na vitamina A, ofertada por alimentos alaranjados, como cenoura, mamão e abóbora. Ela entra na regulação da produção de interleucina-2, proteína ligada a atividades das células brancas do sangue – em outras palavras, à imunidade. Em estudo feito no St. Jude Children’s Research Hospital (EUA) com crianças vacinadas contra o influenza, por exemplo, a suplementação das vitamina A e D demonstrou sua capacidade de aumentar a imunidade humoral, exercida por linfócitos B. [6]

A vitamina C das frutas cítricas, por sua vez, aumenta a carga de anticorpos e ajuda a proteger as membranas celulares dos danos causados pelos radicais livres gerados naturalmente pelo metabolismo. [7]

É preciso ainda prevenir o déficit de minerais como zinco, presente em grãos integrais, e selênio, este abundante em castanha-do-pará – ambos com o efeito antioxidante e de importância significativa para alavancar as defesas. [8]

“Probióticos e prebióticos devem ser contemplados no pacote protetor”, lembra Myrian Najas. Afinal, pondera a nutricionista, eles aprimoram a performance dos enterócitos, as células do intestino, que assim se tornam mais aptas a reagir contra micro-organismos agressores. A ideia, portanto, é abrir espaço no cardápio para iogurtes e leites fermentados.

Entre os nutrientes indispensáveis, Myrian aponta a proteína. “Ela é extremamente importante para os idosos, para prevenir a perda de massa muscular que pode ser ainda mais acentuada em quadros de infecções”, justifica. Daí a recomendação de garantir a ingestão de 1 a 1,5 grama de proteína por quilo de peso todo dia. Boas fontes vegetais desse nutriente são o feijão, a lentilha e demais leguminosas. Mas é nas carnes, peixes e ovos que se encontra boa parte dos aminoácidos essenciais. “O problema é que a dificuldade de mastigar, a digestibilidade mais lenta e as alterações do paladar próprias da idade mais avançada aumentam a probabilidade de não atingir a quantidade apropriada de proteína”, alerta Myrian. “Se não conseguir consumir itens proteicos nas três grandes refeições, café da manhã, almoço e jantar, é hora de suplementar para ajustar a composição nutricional”, orienta.

A necessidade de suplementação em geral, aliás, aparece em publicação de abril de 2020 da Sociedade Europeia de Nutrição Clínica e Metabolismo (Espen), sobre nutrição no cenário do novo coronavírus. No documento, especialistas sugerem prover doses diárias de vitaminas e avaliar o status de ácidos graxos poli-insaturados ômega-3, bem como selênio, zinco e ferro, visando maximizar a defesa nutricional geral anti-infecção: “Parte da abordagem nutricional para prevenção de infecções virais se baseia na suplementação e/ou fornecimento adequado de vitaminas e minerais com potencial para reduzir o impacto negativo da doença”, afirmam os experts da Espen. [9]

Vitamina D em foco

Com reconhecida ação no fortalecimento dos ossos, mas no cenário atual sob holofotes especialmente por sua relevância na prevenção de infecções no trato respiratório, [10] esse micronutriente dificilmente chega a níveis suficientes somente pela alimentação. Sua síntese depende da ação dos raios ultravioleta, por isso a exposição ao sol por 15 minutos ao dia reforça a lista de diretrizes para este momento. E, se for detectada a deficiência de vitamina D, alimentos fortificados e suplementos devem entrar no planejamento.

Lembrete para se hidratar

Silvia Ramos faz questão de destacar a necessidade de ingerir diariamente quantidade de água capaz de suprir o organismo como se deve:

“A desidratação altera a fluidez do sangue, comprometendo o transporte de nutrientes e oxigênio e, como consequência, a atividade celular fica inadequada”, explica. “Quem não tem o hábito de tomar água pode lançar mão de algum aplicativo para se lembrar de fazer isso ao longo do dia”, sugere a nutricionista.

A estratégia é válida sobretudo no cuidado com os idosos. “Os mais velhos costumam tomar pouca água. Então, a saliva muito concentrada desregula a produção da imunoglobulina A (IgA) da mucosa da boca, justamente uma das portas de entrada de micro-organismos como o novo coronavírus”, alerta Myrian Najas.

Por Estúdio Abril Branded Content

Referências:

  1. Informe da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE) sobre exercício físico e o novo coronavírus (Covid-19). Disponível em [http://www.medicinadoesporte.org.br/wp-content/uploads/2020/03/sbmee_covid19_final.pdf]
  2. Prather A, Janicki-Deverts D et al. Behaviorally Assessed Sleep and Susceptibility to the Common Cold. Sleep. 2015. Disponível em [https://academic.oup.com/sleep/article/38/9/1353/2417971?searchresult=1]
  3. Segerstrom, SC, Miller G. Psychological Stress and the Human Immune System: A Meta-Analytic Study of 30 Years of Inquiry. Disponível em [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1361287/]
  4. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. 2019. Disponível em [http://www.crn1.org.br/wp-content/uploads/2020/04/vigitel-brasil-2019-vigilancia-fatores-risco.pdf?x53725]
  5. Harbig L et al. ISIN Position Statement on Nutrition, Immunity and COVID-19. Disponível em [https://www.immunonutrition-isin.org/docs/isinComunicadoCovid19.pdf]
  6. Patel N. Baseline serum vitamin A and D levels determine benefit of oral vitamin A&D supplements to humoral immune responses following pediatric influenza vaccination. Viruses. 2019. Disponível em [https://www.mdpi.com/1999-4915/11/10/907]
  7. Kim Y. Vitamin C is an essential factor on the anti-viral immune responses through the production of interferon-α/β at the initial stage of influenza A virus (H3N2) infection. Immune network. 2013. Disponível em [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3659258/]
  8. Gombart et al. A Review of Micronutrients and the Immune System–Working in Harmony to Reduce the Risk of Infection. Nutrients. 2020. Disponível em [https://www.mdpi.com/2072-6643/12/1/236/htm]
  9. ESPEN expert statements and practical guidance for nutritional management of individuals with SARS-CoV-2 infection. Disponível em [https://www.clinicalnutritionjournal.com/article/S0261-5614(20)30140-0/pdf]
  10. Martineau AR et al. Vitamin D supplementation to prevent acute respiratory tract infections: Systematic review and meta-analysis of individual participant data. BMJ. 2017. Disponível em [https://www.bmj.com/content/356/bmj.i6583]