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Dieta em prol da saúde mental

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Novos achados reforçam o papel de nutrientes e compostos bioativos no combate aos transtornos de ansiedade e contra a depressão.

Dieta em prol da saúde mental

Frutas vermelhas: repletas de agentes antioxidantes que blindam os neurônios e contribuem para a produção de serotonina e dopamina

Por Regina Célia Pereira

Apesar de ser um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, o Brasil também está entre os campeões na incidência de deprimidos e ansiosos, segundo a Organização Mundial da Saúde. São 11,5 milhões de pacientes com depressão e 18,6 milhões com transtornos de ansiedade.[1] Trata-se das maiores taxas da América Latina. Como o assunto borbulha, afinal esses distúrbios crescem ao redor do globo, a ciência não para de investigar a esse respeito, com foco inclusive em desvendar o papel da dieta no controle mental e emocional.

Colorido contra a tristeza

Um estudo acaba de ser publicado no periódico Psychosomatic Medicine,[2] da Sociedade Americana de Psicossomática. Depois de revisarem 16 pesquisas, com um total de 45.826 participantes, os cientistas concluíram que um cardápio equilibrado é bem-vindo para ajudar a atenuar os sintomas depressivos.

Não à toa, certos nutrientes e compostos bioativos ganham cada vez mais destaque como aliados no combate à tristeza profunda. “É o caso dos polifenóis”, ressalta a farmacêutica Audrei Alves, que anda investigando o assunto no Departamento de Morfologia da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Uma das maiores estrelas desse grupo de substâncias são as antocianinas, aquelas que colorem frutos de origem estrangeira, como o mirtilo e a uva, mas também aparecem em delícias nativas, como o açaí e a jabuticaba. “Um trabalho italiano,[3] com um total de 509 pessoas, reforça a atuação das antocianinas contra a depressão”, conta Audrei.

A lista de polifenóis vai muito além. Catequinas, quercetina, naringenina, ácido gálico, flavononas, só para citar alguns, merecem menção honrosa. Todas são festejadas pela ação antioxidante, que é sempre bem-vinda e colabora para a homeostase do organismo. Nosso cérebro tende a produzir muito radical livre e, assim, acaba vulnerável a tais moléculas. E, quando elas estão em excesso, os radicais podem desencadear danos em certas áreas, prejudicando a mente. Daí a importância dos agentes antioxidantes que blindam os neurônios e, consequentemente, contribuem para a produção dos neurotransmissores da felicidade, como serotonina e dopamina.

Ingredientes nacionais

O recado é batido, mas não custa reforçar: quanto mais colorido o prato, maior a quantidade desses compostos bioativos. Embora a Dieta Mediterrânea seja sempre um ótimo exemplo, vale incentivar o consumo de alimentos tipicamente brasileiros. Açaí, jabuticaba, goiaba, maracujá, erva-mate, caju, entre tantos outros menos conhecidos, devem marcar presença no menu. O amazônico guaraná, por sinal, desponta na literatura científica pelo seu papel em prol do cérebro. O frutinho oferta alta concentração de xantinas, com destaque para a teobromina e a cafeína, dupla com efeitos no humor. Poderes que pajés e até mesmo curumins conhecem de longa data.

Aqui há que se mencionar o café. Além da cafeína, a bebida oferece preciosidades como o ácido clorogênico, uma substância que se encaixa em receptores do cérebro por trás de reações de prazer. Requer parcimônia nas xícaras, especialmente entre os mais sensíveis, para não disparar taquicardia e insônia.

Função anti-inflamatória

O grupo dos polifenóis trabalha ainda no combate aos processos inflamatórios, uma função essencial ao funcionamento do cérebro. Entretanto, se o assunto é barrar a inflamação, a maior estrela é o ômega-3. Esse ácido graxo aparece em uma pesquisa brasileira.[4] A nutricionista Lara Natacci analisou dados do Estudo Longitudinal Brasileiro de Saúde do Adulto - ELSA-Brasil, coletados em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória. Tudo para sua tese de doutorado, defendida na Universidade de São Paulo (USP). Considerando informações sobre 12.268 adultos, a conclusão é que os maiores consumidores do nutriente apresentam menor risco de sofrer de ansiedade em relação às pessoas com baixa ingestão. Foram esmiuçados questionários sobre os hábitos alimentares e a ocorrência de distúrbios. “Tudo validado pela classificação internacional de doenças (CID)”, descreve Lara.

Embora a pesquisadora ressalte que falta muito a se elucidar sobre os efeitos dessa gordura na massa cinzenta, há comprovação de que o consumo de ômega-3 favoreça a produção de resolvinas e ajude a diminuir a quantidade de citocinas, num mecanismo que colabora para o controle da inflamação. “Ocorre, então, uma melhora na comunicação entre os neurônios. Além disso, certas áreas do cérebro, como o hipocampo, são preservadas”, explica Lara.

Diagnóstico certeiro, apoio médico e uso de medicações continuam fundamentais em quadros depressivos e nos transtornos de ansiedade. Todavia é certo que escolhas certeiras nas refeições, com o devido espaço para os ingredientes mostrados aqui, têm enorme relevância para o equilíbrio mental e emocional e a qualidade de vida.

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Referências:

  1. [1] World health Organization (WHO). Depression and other common mental disorders: Global Health Estimates [Internet]. 2017. Disponível em [www.who.int/mental_health/management/depression/prevalence_global_health_estimates/en/]
  2. [2] Firth J; Marx W; Dash S; Carney R; Teasdale S; Solmi M; Stubbs B; Schuch F; Carvalho A; Jacka F; Sarris J. The Effects of Dietary Improvement on Symptoms of Depression and Anxiety: A Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. 2019. Disponível em [https://insights.ovid.com/crossref?an=00006842-201904000-00007]
  3. [3] Godos J; Castellano S; Ray S; Grosso G; Galvano F. Dietary Polyphenol Intake and Depression: Results from the Mediterranean Healthy Eating, Lifestyle and Aging (MEAL) Study. 2018. Disponível em [https://www.mdpi.com/1420-3049/23/5/999]
  4. [4] Natacci N; Marchioni DM; Goulart AC; Nunes MA; Moreno AB; Cardoso LO; Giatti L; Molina MCB; Santos IS; Brunoni AR; Lotufo PA; Bensenor IM. Omega 3 Consumption and Anxiety Disorders: A Cross-Sectional Analysis of the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil). 2018. Disponível em [https://www.mdpi.com/2072-6643/10/6/663]