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Rotina alimentar e de sono: entenda a importância

Nestlé Faz Bem

Cardápio equilibrado e noites bem-dormidas são essenciais para o desenvolvimento e o aprendizado infantil

Entenda por que uma boa rotina alimentar e de sono é importante para as crianças

Alimentação equilibrada e sono tranquilo são essenciais para o desenvolvimento infantil.

Não é segredo para ninguém: a infância é um período determinante para o desenvolvimento de todo indivíduo. Muito além da saúde física, o aprendizado, a memória, a atenção, a percepção, ou seja, as funções cognitivas, dependem de suprir os requisitos alimentares. A qualidade do sono igualmente entra nessa história – e a hora do descanso, por sua vez, influencia padrões alimentares. [1] Em outras palavras, estamos falando de um círculo que, de acordo com os hábitos, pode ser virtuoso ou vicioso, com reflexos na evolução intelectual e emocional.

“O aprendizado e a sobrevivência estão intimamente ligados, foi assim que o homem saiu das cavernas”, analisa Irene Maluf, especialista em psicopedagogia. Não à toa, continua a pedagoga, as famílias tendem a estar cada vez mais interessadas na formação dos filhos. A aquisição de conhecimento traz satisfação emocional, melhora a comunicação social e propicia uma relação familiar mais saudável.

Múltiplos fatores influenciam o amadurecimento cognitivo, entre eles a nutrição. [2] “Nosso cérebro por si só não produz uma série de elementos químicos que fazem com que ocorram as sinapses, as comunicações entre os neurônios”, explica Irene. “Por isso, para ter um bom aproveitamento na escola, a criança precisa estar bem alimentada”, complementa.

Uma dieta equilibrada, respeitando a proporção de carboidratos, proteínas e gorduras, assim como a presença de micronutrientes como vitaminas e minerais, está por trás do bom funcionamento cerebral. Nos últimos anos, o efeito de ácidos graxos essenciais nesse processo tem despertado grande interesse científico. Estudos indicam que a suplementação de DHA, forma de gordura do ômega-3, durante a gravidez, lactação ou na infância desempenha um papel importante no neurodesenvolvimento infantil.[3]

O leite deve compor as refeições mesmo quando já foram introduzidos outros alimentos, defende Irene Maluf. Até porque ele pode fazer parte de um cardápio variado, entrando em bolos, panquecas, iogurtes. “Alterar o modo de apresentação de determinado alimento evita a monotonia alimentar, incentivando assim a melhor aceitação”, diz a nutricionista Suzana Janson Franciscato, especialista em educação nutricional para crianças. Os pais podem incentivar as boas escolhas à mesa explicando aos filhos que aquilo que ele come vai ajudá-lo a aprender, a ficar mais esperto e mais forte para jogar e brincar com os amigos, propõe a psicopedagoga Irene.

Rotina saudável é a base de tudo

“A criança precisa entender a ordem das coisas. Que depois de acordar ela escova os dentes, toma o café da manhã, vai à escola”, descreve Irene. “É assim que ela ganha consciência e autonomia”, conclui. Também para a neurologista infantil Rosana Cardoso Alves, dedicada aos estudos de sono na infância, seguir uma rotina é essencial nesse percurso. Na hora de ir para a cama, vale investir em estratégias como banho quentinho, ir reduzindo as luzes do ambiente, reservar uns momentos para cantigas ou histórias curtas.

Dormir bem, afinal, está relacionado à secreção de hormônios como GH (do crescimento) e melatonina, indutor do sono. “Crianças em idade escolar têm que dormir dez horas no mínimo para ter um bom desenvolvimento físico e cognitivo”, ressalta a médica. É o que comprova uma investigação conduzida no Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos: meninos e meninas de 3 a 7 anos de idade que não dormem o suficiente apresentam mais problemas de atenção, controle emocional e relacionamento com colegas. [4]

Para uma noite bem-dormida, é importante levar em conta as propriedades da refeição noturna. Alguns nutrientes, como o triptofano e o magnésio, são matéria-prima para a produção de serotonina, um neurotransmissor associado ao sono e ao humor. “É o caso do leite morno”, exemplifica Rosana. “Trata-se de um alimento leve, reconfortante e que cai bem como parte de um bom ritual do sono”, finaliza.

De acordo com Suzana Franciscato, estabelecer horários para as refeições é muito importante, uma vez que ajuda a controlar a fome e propicia uma oportunidade de oferecer maior variedade de alimentos. “Crianças que comem sem horários predefinidos, beliscando durante todo o dia, não conseguem acostumar o organismo a esperar pela próxima refeição, não aprendem a regular a sensação de saciedade e acabam não ingerindo todos os nutrientes necessários”, explica a nutricionista. O ideal, portanto, é criar desde cedo a rotina e o costume de sentar à mesa, num ambiente tranquilo. “É importante também que a criança não coma com distrações, como televisão ligada por perto. E aos poucos dar liberdade para que ela tenha autonomia de se servir, colocando à disposição um cardápio variado e respeitando suas preferências”, pondera. Afinal, é na infância que se constroem experiências capazes de determinar a construção de hábitos saudáveis que se estenderão para o resto da vida.

Referências:

  1. [1]Ikonte C, Reider C, Fulgoni V, Mitmesser S. Associations between sleep and dietary patterns among low-income children attending preschool). Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics. 2019. Disponível em [https://jandonline.org/article/S2212-2672(19)30028-0/fulltext]
  2. [2] Nyaradi A, Li J, Hickling S, Foster J, Oddy WH. The role of nutrition in children's neurocognitive development, from pregnancy through childhood. Frontiers in Human Neuroscience. 2013. Disponível em [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3607807/]
  3. [3] Ryan AS, Astwood JD, Gautier S, Kuratko CN, Nelson EB, Salem N Jr. Effects of long-chain polyunsaturated fatty acid supplementation on neurodevelopment in childhood: a review of human studies. Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids. 2010. Disponível em [https://www.plefa.com/article/S0952-3278(10)00051-7/fulltext]
  4. [4] Taveras EM, Rifas-Shiman SL, Bub KL, Gillman MW, Oken E. Prospective study of insufficient sleep and neurobehavioral functioning among school-age children. Academic Pediatrics, 2017. Disponível em [https://www.academicpedsjnl.net/article/S1876-2859(17)30047-5/fulltext]