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Fitoquímicos na xícara de chá

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As infusões oferecem compostos protetores que podem ser incluídos de maneira prática no dia a dia dos pacientes

O consumo rotineiro das fontes de fitoquímicos favorece todo o organismo humano.

O consumo rotineiro das fontes de fitoquímicos favorece todo o organismo humano.

Utilizadas há milhares de anos e cada vez mais reconhecidas pela ciência, as infusões costumam ser grandes aliadas do nutricionista. Elas podem acrescentar uma porção de compostos bem-vindos ao cotidiano, de forma prática e segura.

Isso porque a matéria-prima dos chás, ou seja, plantas, ervas e frutos concentram os chamados fitoquímicos. “Trata-se de substâncias biologicamente ativas produzidas pelos vegetais, para a proteção contra agressões do meio ambiente, e que apresentam ação antioxidante e anti-inflamatória”, diz a nutricionista Vanderlí Marchiori, fundadora da Associação Paulista de Fitoterapia (APFIT) e considerada uma das maiores especialistas em fitoterapia do país.

Vale mencionar o grupo das catequinas, que são parte dos polifenois, além de xantinas, alcaloides e tantos outros com as mais variadas funções, que vão desde blindar as células até aumentar a disposição.

A expert acrescenta que o consumo rotineiro das fontes de fitoquímicos favorece todo o organismo humano. Entretanto, além de saber detalhes sobre a situação clínica do paciente, é fundamental pesquisar sobre as espécies indicadas e explicar em detalhes o modo de usar, mencionando evidências científicas durante as consultas.

Há maneiras fáceis e seguras de incluir essa riqueza no cardápio, já que muitas espécies podem ser usadas para a preparação de chás, sucos e até mesmo para temperar a comida, deixando tudo mais saboroso.

Destaca-se que, para prescrever fitoterápicos em forma de cápsulas, tinturas e outras formulações, se faz necessário o título de especialista. Basta ficar de olho na legislação, especialmente na resolução CFN 556 [1].

Orientações preciosas

Também é fundamental alertar sobre o perigo de adquirir ervas em locais inapropriados, caso de espécies comercializadas a granel.

Chás industrializados, por sua vez, são elaborados nas dosagens adequadas, seguindo padrões que garantem a segurança e a eficácia dos fitoquímicos. Há opções de produtos que mesclam frutos e plantas, numa combinação que melhora os efeitos. Sem contar que promovem a hidratação, beneficiando todo o organismo.

Buscar informações em fontes confiáveis é a melhor estratégia para que o nutricionista ofereça ao seu paciente alternativas seguras e eficazes.

Confira, a seguir, algumas das espécies mais populares e com grande número de evidências científicas:

Camomila (Matricaria chamomilla) (Asteraceae)

Carotenoides, flavonoides, taninos e terpenoides estão entre os compostos dessa planta tão tradicional e que aparece em trabalhos pelos atributos digestivos e contra a insônia [3]

Mas atenção: o exagero favorece náuseas e pode haver interação medicamentosa com anticoagulantes e sedativos.

Chá-verde (Camellia sinensis)

Além da versão conhecida como chá-verde, a planta é matéria-prima do chá-branco, do chá-preto e do oolong, entre outros. Processos de fermentação, tempo de colheita e de oxidação determinam as diferenças entre os tipos.

Entre seus principais fitoquímicos está o grupo das catequinas, mas a Camellia sinensis concentra ainda cafeína, teobromina e taninos, numa mistura de comprovada ação anti-inflamatória [4] e de proteção cardiovascular.

Não é indicada para hipertensos e pode interferir com analgésicos, antirretrovirais e outros fármacos.

Cranberry (Vaccinium macrocarpon)

A espécie concentra ácido málico, quínico, vitamina C, além de flavonoides, taninos e ácido elágico. Existem estudos que apontam atuação em prol da saúde bucal [5] e no combate à infecção urinária.

Pode interferir com medicamentos anticoagulantes e drogas imunossupressoras.

Erva-mate (Ilex paraguariensis)

Entre seus componentes, vale destaque para o ácido cafeico, a cafeína, o ácido clorogênico, o kaempferol e a quercetina. A ciência reconhece seus atributos no combate à obesidade [6].

Atenção para interações com sedativos e anticonvulsivantes, anti-hipertensivos, entre outros. Não se recomenda para pacientes que sofrem com insônia.

Gengibre (Zingiber officinalis)

Há evidências sobre seus efeitos antimicrobianos [7] e digestivos, entre outros. Compostos como 6-gingerol e 6-shogaol estão entre os responsáveis.

Vale cautela para prescrição aos pacientes diabéticos.

Hibisco (Hibiscus sabdariffa)

Pesquisas mostram que a planta pode ser uma aliada cardiovascular por atuar contra a hipertensão [8]. Uma rica composição que contempla os ácidos cafeoilquínicos e quínicos, além de flavonoides e proantocianidinas, ajuda a explicar os bons efeitos.

Possíveis interações com diuréticos. Não é indicada para grávidas.

Tangerina King, Ortanique, tangerina Kinnow (Citrus nobilis Lour)

Essa espécie reúne flavonoides, caso da naringina e da esperidina, carotenos, limonoides e outros antioxidantes que ajudam a reduzir o risco de tumores [9].

Não deve ser utilizado por portadores de problemas cardíacos e doenças hepáticas.

Por Estúdio Abril Branded Content

Referências:

  1. Exemplos de resoluções sobre fitoterapia do Conselho Federal de Nutricionistas. Disponível em: [http://www.cff.org.br/userfiles/26 - BRASIL_ CONSELHO FEDERAL DE NUTRI%C3%87%C3%83O_ 2007Resolucao_402_2007_CFN.pdf]
  2. Lista de fitoterápicos com prescrição médica. Disponível em: [http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2014/int0002_13_05_2014.pdf]
  3. CHANG, Shao‐Min; CHEN, Chung‐Hey. Effects of an intervention with drinking chamomile tea on sleep quality and depression in sleep disturbed postnatal women: a randomized controlled trial. Journal of Advanced Nursing, v. 72, n. 2, p. 306-315, 2016. Disponível em: [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/jan.12836]
  4. SHARANGI, A. B. Medicinal and therapeutic potentialities of tea (Camellia sinensis L.). Disponível em: [https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S096399690900012X]
  5. BODET, C. et al. Potential oral health benefits of cranberry. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 48, n. 7, p. 672-680, 2008. Disponível em: [https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/10408390701636211?journalCode=bfsn20]
  6. ARÇARI, Demétrius P. et al. Antiobesity effects of yerba maté extract (Ilex paraguariensis) in high‐fat diet-induced obese mice. Obesity, v. 17, n. 12, p. 2127-2133, 2009. Disponível em: [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1038/oby.2009.158]
  7. ISLAM, Kamrul et al. Antimicrobial activity of ginger (Zingiber officinale) extracts against food-borne pathogenic bacteria. International Journal of Science, Environment and Technology, v. 3, n. 3, p. 867-871, 2014. Disponível em: [https://www.researchgate.net/profile/Md_Murad_Khan/publication/286936027_Antimicrobial_activity_of_ginger_Zingiber_officinale_extracts_against_food-borne_pathogenic_bacteria/links/567166fa08ae0d8b0cc2f651.pdf]
  8. MOJIMINIYI, F. B. O. et al. Antihypertensive effect of an aqueous extract of the calyx of Hibiscus sabdariffa. Fitoterapia, v. 78, n. 4, p. 292-297, 2007. Disponível em: [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3593772/]
  9. LE MARCHAND, Loïc et al. Intake of flavonoids and lung cancer. Journal of the National Cancer Institute, v. 92, n. 2, p. 154-160, 2000. Disponível em: [https://academic.oup.com/jnci/article/92/2/154/2964983]