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Nutrir para envelhecer bem

Nestlé Faz Bem

A resposta para o desafio de preservar a capacidade física e mental com o avançar da idade é blindar as células contra os radicais livres

Nutrir para envelhecer bem.

Goretti Tenório, para Estúdio Abril Branded Content

A pessoa que vai viver mil anos já nasceu. A provocação é do biogerontologista inglês Aubrey de Grey. Para ele, no caminho de desvendar o processo do envelhecimento, a ciência já teria recursos para garantir essa quase vida eterna. Ok, não é preciso ir tão longe assim, mas o fato é que o aumento na longevidade justifica a intensificação de pesquisas em busca de mecanismos para que esses anos extras sejam aproveitados da melhor maneira possível. E a forma como abastecemos nosso corpo de nutrientes tem tudo a ver com isso.

“Nossas células têm um tempo de vida, e alterações fisiológicas naturais do passar dos anos lesionam as membranas celulares, acelerando danos”, explica Fernanda Galante, farmacêutica e nutricionista de São Paulo. “É a chamada inflammaging, ou seja, o estado inflamatório relacionado ao envelhecimento”, resume. “Para realizar as funções necessárias, as células dependem de mensageiros bioquímicos que mantêm a comunicação entre elas”, continua Fernanda. À medida que ficamos mais velhos, essa conversa vai perdendo força, o que aumenta as inflamações.

Os anos a mais de vida predispõem ainda a uma perda da capacidade de processar gorduras e açúcares, resultando em acúmulo de substâncias nocivas que podem levar ao aparecimento de doenças como diabetes, Alzheimer e Parkinson,[1] sem contar o declínio de massa e força muscular do fenômeno conhecido como sarcopenia.[2] Perdem eficiência também as mitocôndrias, organelas celulares que atuam a partir do oxigênio e da glicose que circulam em nosso corpo. Na respiração celular, as mitocôndrias geram energia – na forma de trifosfato de adenosina (ATP) –, mas produzem ao mesmo tempo as chamadas espécies reativas de oxigênio (ROS, na sigla em inglês), em outras palavras, os radicais livres. Com o envelhecimento, a tendência é haver um desequilíbrio entre essas moléculas prejudiciais, os oxidantes, e as protetoras, os antioxidantes, dando origem ao estresse oxidativo.

As primeiras referências a esse mecanismo apareceram ainda na década de 1950, quando o gerontologista americano Denham Harman (1916-2014) propôs a Teoria do Radical Livre do Envelhecimento.[3] Em seus estudos, ele descreve uma espécie de círculo vicioso no qual a toxicidade gerada pelos radicais livres fomenta estragos às mitocôndrias, o que incrementa a produção de mais e mais dessas moléculas –fatores externos como poluição, cigarro, álcool e radiação também contribuem nesse enredo.

Entre os recursos para reverter os prejuízos, a dieta tem papel primordial. “Para garantir a renovação óssea e muscular, para que o sistema nervoso converse com todos os outros sistemas, é preciso subsidiar nutricionalmente com compostos bioativos, minerais e vitaminas”, diz Fernanda Galante.

Nesse cenário, vem ganhando evidência o conceito de nutrição celular, ou seja, a oferta de nutrientes específicos para resguardar o metabolismo e o funcionamento das células, a exemplo das vitaminas A, E e C e os minerais zinco e selênio. Na galeria desses protetores, ganha destaque a glutationa, antioxidante produzido naturalmente no fígado. Formada pelos aminoácidos glutamato, cisteína e glicina, essa molécula é um componente fundamental na blindagem contra os radicais livres. A questão é que o avançar da idade acompanhado por uma diminuição da síntese desses precursores, fazendo minguar assim a concentração de glutationa no organismo – em estudo realizado no Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, idosos apresentaram concentração de glicina 55% menor e de cisteína 24% menor, na comparação com pessoas mais jovens.[4]

A boa notícia é que a aposta em suplementos capazes de fornecer o substrato necessário para restaurar a presença desse antioxidante abre uma nova era na busca de reverter os prejuízos. Testada com êxito em idosos, em pesquisa realizada na mesma instituição americana,[5] a suplementação dos aminoácidos cisteína e glicina se comprovou como estratégia certeira em favor de um envelhecimento com menos vulnerabilidade e mais independência.

Guardiões das Células

Referências:

  1. [1]Marrocco I, Altieri F, Peluso I. Measurement and Clinical Significance of Biomarkers of Oxidative Stress in Humans. Oxid Med Cell Longev. 2017. Disponível em [https://www.hindawi.com/journals/omcl/2017/6501046/]
  2. [2] Meng SJ, Yu LJ. Oxidative Stress, Molecular Inflammation and Sarcopenia. International Journal of Molecular Sciense. 2010. Disponível em [https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2871128/]
  3. [3] 9. Harman D. Aging: a theory based on free radical and radiation chemistry. J Gerontol. 1956;11:298–300.
  4. [4] Sekhar RV, Patel SG, Guthikonda AP, Reid M, Balasubramanyam A, Taffet JE, Jahoor F. Deficient synthesis of glutathione underlies oxidative stress in aging and can be corrected by dietary cysteine and glycine supplementation. The American Journal of Clinical Nutrition. Disponível em [https://academic.oup.com/ajcn/article/94/3/847/4431102]
  5. [5] Nguyen D, Samson SL, Reddy VT, Gonzalez EV, Sekhar RV. Impaired mitochondrial fatty acid oxidation and insulin resistance in aging: novel protective role of glutathione. Aging Cell. 2013. Disponível em [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/acel.12073]