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O papel da proteína no emagrecimento

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Diversas suposições são levantadas, em diferentes estudos, sobre papel da proteína no emagrecimento e a mais difundida se refere à saciedade.

O papel da proteína no emagrecimento

A dieta por meio da maior ingestão de proteínas deve ser feita com equilíbrio e cuidado.

A tão famosa dieta da proteína ainda provoca questionamentos na comunidade médica e científica. Não diretamente por sua eficácia, mas pela dúvida de como isso acontece no corpo humano. Isso porque o mecanismo por trás do consumo de mais proteína possibilitar o aumento na redução de peso (em relação à dieta convencional) ainda não está inteiramente esclarecido. Uma das hipóteses mais abordadas e aceitas é relacionada ao maior efeito da proteína na saciedade, quando comparada ao carboidrato.

Estudos em humanos e ratos encontraram na saciedade o efeito que pode reduzir a ingestão energética, já que os grupos com dieta rica em proteína tiveram 17 a 18 % menos ingestão calórica que aqueles grupos com menor teor do nutriente. 1,2

“As dietas com maior teor de proteína têm um maior efeito de saciedade. Então, muitas vezes, as pessoas conseguem comer menos. Hoje, por exemplo, vemos a indústria produzindo iogurte com maior teor de proteína e baixa quantidade de gordura, justamente para que haja maior efeito de saciedade, diminuindo assim, ao longo do dia, a ingestão de alimentos. Isso vai gerar um déficit calórico que promoverá um processo de emagrecimento”, afirma a nutricionista Luciana Lancha.

A proporção ideal desses macronutrientes em dietas de emagrecimento é, atualmente, bastante discutida. Existem evidências de que dietas com maior proporção de proteína aumentam a perda de peso e de gordura corporal e diminuem a perda de massa corporal magra durante o emagrecimento. “O desafio é montar uma dieta com maior quantidade de proteína sem aumentar a quantidade de gordura, porque os alimentos que são fonte de proteína, na maioria das vezes, são também fontes de gorduras, como as carnes e ovos, por exemplo. Claro que é possível ter uma alimentação proteica com base em vegetais, mas não é o que normalmente acontece na alimentação diária das pessoas”, diz Luciana.

Sabe-se que a saciedade é regulada pela complexa interação de mecanismos fisiológicos, psicológicos e comportamentais3. “Se a pessoa não busca um nutricionista para ajudar a encontrar um equilíbrio na dieta, ela pode diminuir, por exemplo, a ingestão de fibra. É muito comum as pessoas que tentam leigamente comer mais proteína, reduzindo o carboidrato, terem problema no intestino. Porque as nossas principais fontes de fibras são alimentos que tem como fonte principal o carboidrato. Isso, muitas vezes, leva a uma perda de peso, mas será decorrente do desequilíbrio e da baixa reserva de glicogênio muscular e hepático. Não necessariamente será uma redução adequada ou com perda de gordura”, conclui.

Demais hipóteses sobre o papel da proteína no emagrecimento

A falta de clareza do papel da proteína no emagrecimento não para por aí. Há hipóteses que abordam a manutenção das concentrações dos hormônios tireoidianos T3 e T4 durante a redução de peso; ou uma menor resposta insulinêmica ocasionada pela menor quantidade de carboidrato na dieta (perfil endócrino associado ao estímulo à lipólise) ou, ainda, fala do aumento da oxidação de gordura e da preservação da massa magra durante a redução de peso corporal.

Conheça também outros pontos levantados sobre o efeito da proteína no emagrecimento.

Efeito térmico dos alimentos (ETA)

Dietas ricas em proteínas podem impactar na termogênese, já que possuem um efeito térmico dos alimentos (ETA) superior ao dos carboidratos e gorduras4,5,6,7. Isso acontece pelo fato de que esse macronutriente não pode ser armazenado pelo organismo, tal como acontece com os carboidratos e as gorduras, precisando ser metabolizado imediatamente após sua ingestão. Durante o metabolismo das proteínas, a energia pode ser utilizada, principalmente, nas reações de síntese protéica, síntese de uréia e neoglicogênese8. Um estudo observou que em uma dieta rica em proteínas, 68% do ETA produzido foi destinado à síntese protéica, enquanto, em uma refeição rica em carboidratos foi de 36%9.

São várias as teorias que mostram embasamentos distintos para justificar o efeito da proteína no emagrecimento. Mas mesmo que ainda não haja um consenso, devemos ter em mente que esse macronutriente não ajuda apenas quem quer emagrecer. A proteína possui diversas funções no organismo e auxilia na produção de partes essenciais do corpo como músculos, hormônios, tecidos, pele e cabelo. Além disso, as proteínas atuam nos neurotransmissores, que são os responsáveis por transmitir os impulsos nervosos que formam os pensamentos e os comandos físicos para os movimentos. É indispensável, também, para o processo de hipertrofia e recuperação muscular, ajudando a ganhar massa muscular e, por isso, é tão bem vista pelo público da academia. Ajuda, ainda, a fornecer energia, produzir anticorpos, no equilíbrio de hormônios e tantos outros benefícios!

Referências:

  1. [1] Skov AR, Toubro S, Ronn B, Holm L, Astrup A. Randomized trial on protein vs carbohydrate in ad libitum fat reduced diet for the treatment of obesity. Int J Obes. 1999; 23(5):558-36. 
  2. [2] Lacroix M, Gaudichon C, Martin A, Morens C, Mathé V, Tomé D, et al. A long-term high-protein diet markedly reduces adipose tissue without major side effects in Wistar male rats. Am J Physiol Regul Integr Comp Physiol. 2004; 287(4):934-42.
  3. [3] Halton TL, Hu FB. The effects of high protein diets on thermogenesis, satiety and weight loss: a critical review. J Am Coll Nutr. 2004; 23:373-85.
  4. [4] Eisenstein J, Roberts SB, Dallal G, Saltzman E. High-protein weight-loss diets: are they safe and do they work? A review of the experimental and epidemiologic data. Nutr Rev. 2002; 60(7 Pt 1): 189-200.
  5. [5] Buchholz AC, Schoeller DA. Is calorie a calorie? Am J Clin Nutr. 2004; 79(5):899-906.
  6. [6] Poehlman ET, Horton ES. The impact of food intake and exercise on energy expenditure. Nutr Rev. 1989; 47(5):129-37.  
  7. [7] Halton TL, Hu FB. The effects of high protein diets on thermogenesis, satiety and weight loss: a critical review. J Am Coll Nutr. 2004; 23:373-85.
  8. [8] Westerterp KR, Wilson SAJ, Rolland V. Diet induced thermogenesis over 24h in a respiration chamber: effect of diet composition. Int J Obes. 1999; 23(3):287-92.
  9. [9] Robinson SM, Jaccard C, Persaud C, Jackson AA, Jequier E, Schutz Y. Protein turnover and thermogenesis in response to high-protein and high-carbohydrate feeding in men. Am J Clin Nutr. 1990; 52(1):72-80.
  10. [10] Layman KL. The role of leucine in weight loss diets and glucose homeostasis. J Nutr. 2003; 133(1): 261-7.
  11. [11] Layman KL, Walter DA. Potential importance of leucine in treatment of obesity and the metabolic syndrome. J Nutr. 2006; 136(1 Suppl):319-23.
  12. [12] Tom A, Nair KS. Assessment of branched-chain amino acid status and potential for biomarkers. J Nutr. 2006; 136(1 Suppl):324-30.