O café esfriou dentro da Nestlé – literalmente. A multinacional de alimentos projeta que o segmento de da bebida gelada deve sair dos atuais 10% para cerca de 30% das vendas de Nescafé no Brasil até 2028, em um movimento de crescimento que não substitui a tradicional xícara quente, e sim aumenta o consumo da bebida como um todo.
O Nescafé só entrou nos cafés gelados em 2023, atrasado em comparação a marcas como Starbucks que se consolidaram com frapês, cold brews e espressos tônicas. A categoria tem consumidores mais jovens, em especial a geração Z, e novas ocasiões de consumo, com aspecto social (cafeterias, happy hours e receitas gourmets para exibir em redes sociais) e e menos caseiro (café da manhã).
“Essa é uma mudança histórica na categoria de cafés”, define Valeria Pardal, diretora de Nescafé para a América Latina na Nestlé. Atualmente, a categoria traz bebidas prontas (de consumo on-the-go), café solúvel e cápsulas Dolce Gusto, representando 15 SKUs de consumo gelado – até 2028, o portfólio pode subir para 30, acrescenta ela. A empresa não abre o faturamento.
A bebida fria tem ajudado a colocar o Nescafé em nichos que, por causa da bebida quente, eram pouco explorados – como a própria praia. De fevereiro a abril, a Nestlé manteve um quiosque na orla de Copacabana para exibir o novo produto para lançar um novo hábito de consumo para um público acostumado com mate gelado, água de coco e açaí.
“Em meses de verão, tínhamos uma atuação mais reduzida, então os gelados puxam a nova categoria para frente”, afirma a executiva.
Além disso, ela aponta que a bebida fria acaba complementando a categoria de cafés quentes. Se antes uma pessoa bebia três xícaras por dia, o gelado entra como a quarta xícara ao substituir um refrigerante, por exemplo. “Não existe uma canibalização, mas um incremento”, diz.
O Nescafé foi desenvolvido globalmente nos anos 1930, a pedido do governo brasileiro, como uma forma de aproveitar os excedentes de café gerados pela crise de 1929 – que derrubou a demanda global pela commodity –, transformando o grão em um produto fácil de armazenar e preparar no formato solúvel. No Brasil mesmo, a marca só chegou e passou a ser produzida nos anos 1950.
Hoje, a marca tem mais de 100 SKUs, incluindo linhas gourmet, como Gold, com crescimento de mais de 20% no último ano. A companhia tem parceria com 3,8 mil fazendas de cafeicultores pelo país e as fábricas estão localizadas em Araras (SP) e Montes Claros (MG), de onde os produtos são exportados para mais de 50 países.